O deputado federal José Medeiros (PL-MT), pré-candidato ao Senado por Mato Grosso, foi protagonista de um áudio vazado onde afirma que seu eleitor é quem “ora para alienígena e bebe detergente”. A declaração, feita em uma conversa com o prefeito de Diamantino, Francisco “Chico” Mendes (União), rapidamente se espalhou pelas redes sociais e causou reações até mesmo de seus aliados.
A gravação, divulgada inicialmente pela imprensa mato-grossense nesta terça-feira (22), integra uma série de mensagens trocadas entre Medeiros e Chico Mendes, que é irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. No trecho de cerca de 11 segundos, o deputado descreve o perfil de seu eleitor em um diálogo sobre o cenário político e estratégias para as eleições de 2026.
Reações e Ironia
Após a divulgação do áudio, Medeiros respondeu à repercussão com tom irônico nas redes sociais. Em uma postagem para o deputado estadual Gilberto Cattani (PL-MT), ele escreveu: “Fui policial a vida toda, DETER GENTE foi o que mais fiz!”. Em outra ocasião, nos stories, Medeiros tentou relativizar a fala: “Esse é o problema. O momento que eu falava a marca cortaram, assim como cortaram quando eu disse Havaianas não!”.
Cattani também entrou na onda de ironia, simulando uma repreensão ao colega antes de fazer uma piada com a referência. “Ô Medeiros, agora não, meu irmão. Você passou de todos os limites (…) Como que você me fala que bebemos detergente? Você fala que bebemos detergente e não fala que é o Ypê? Você acha que vamos beber qualquer detergente?”, disse Cattani. A imprensa local destacou que o parlamentar transformou o ocorrido em uma brincadeira, focando a resposta na marca do produto.
As menções feitas por Medeiros remetem a episódios de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A frase “orar para alienígena” faz alusão a vídeos que circularam após as eleições de 2022, onde manifestantes direcionavam celulares para o céu. Já a referência ao detergente surgiu em publicações relacionadas à defesa da marca Ypê por grupos bolsonaristas.
Áudio anterior sobre o STF
Este episódio ocorreu um dia depois da divulgação de outra gravação de Medeiros, também em conversa com Chico Mendes. Neste primeiro áudio, o deputado afirmava evitar ataques ao Supremo Tribunal Federal e disse ter orientado sua equipe de campanha a remover referências à Corte de materiais de divulgação. “Eu não ataco o STF, viu, Chico? Meu marketing tinha feito um negócio… falei: ‘Quero que corte tudo’. Eu não leio um texto para gravação que tenha qualquer coisa mencionando o STF”, afirmou Medeiros.
Contudo, na mesma gravação, ele abriu uma exceção para o ministro Alexandre de Moraes. “Se vocês pedirem para esculhambar Alexandre de Moraes, pode me ligar até no meio da noite, que eu faço. Mas não me peça para falar de outros”, disse. Diferentemente do áudio sobre o eleitorado, Medeiros confirmou ao Metrópoles a autenticidade da gravação relacionada ao STF, declarando que busca preservar a instituição, apesar das críticas individuais a ministros.
Após a circulação do primeiro áudio, Eduardo Bolsonaro defendeu o candidato mato-grossense nas redes sociais. Com a divulgação da segunda gravação, o foco da repercussão se deslocou para a maneira como Medeiros caracterizou seus próprios eleitores. O candidato respondeu publicamente às referências ao detergente de forma jocosa, enquanto o conteúdo da conversa continuou a circular na imprensa de Mato Grosso e nas redes sociais.






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