O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, fez uma forte defesa do projeto de desenvolvimento do governo e da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. O pronunciamento ocorreu na noite da última sexta-feira (25) em um jantar em São Paulo, que reuniu mais de 500 importantes líderes empresariais, financeiros e produtivos do país. O evento foi organizado pelos grupos Prerrogativas, Esfera Brasil e Parlatório, marcando um momento de diálogo entre o setor produtivo e o governo federal.

Mercadante ressaltou que nenhum país realizou transições ecológicas ou inovações de fronteira sem a participação de riscos do Estado. Ele afirmou que o BNDES demonstrou a viabilidade de um crédito que induz ao desenvolvimento, com foco no verde e na inclusão, onde 68% dos recursos operam a taxas de mercado e com baixos níveis de inadimplência.

Transformação do BNDES e Solidez Pública

Durante sua apresentação, Mercadante contestou crenças fiscais e críticas aos bancos públicos, explicando como o BNDES se tornou um motor para a neoindustrialização. Ele destacou que a instituição alcançou recordes de eficiência e solvência, com quase 70% de sua carteira utilizando custos de mercado, contrariando narrativas sobre subsídios excessivos. O presidente do BNDES enfatizou que a retomada da agenda produtiva está ligada à sustentabilidade e à transição energética, mencionando o compromisso do banco com projetos de reflorestamento, apoio à transição ecológica e o uso de recursos estratégicos de combustíveis para financiar infraestrutura futura e a transição verde. Ele também defendeu a necessidade de cooperação público-privada para o avanço tecnológico.

Mercadante afirmou que o Brasil não será apenas um exportador de matéria-prima no século 21, e que minerais críticos e terras raras devem gerar valor no país, desenvolvendo a indústria nacional e servindo à soberania brasileira.

Soberania Nacional e Liderança Global

Outro ponto central do discurso foi a defesa da soberania nacional sobre ativos estratégicos, com Mercadante alertando para a necessidade de o Brasil agregar valor local a minerais críticos e terras raras, essenciais para a geopolítica global. Ele comparou a atual inserção do Brasil no cenário internacional, com sua participação no Sul Global e em agendas climáticas, com o período de isolamento internacional vivenciado nos anos anteriores. Como exemplo de excelência e capacidade técnica, citou a Embraer, destacando que a indústria nacional de alta tecnologia foi construída com base em uma visão estratégica do Estado em parceria com o mercado.

Ao abordar o debate econômico, Mercadante relembrou a responsabilidade fiscal dos governos Lula, mencionando o histórico de superávits primários e o trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Contudo, ele ponderou que a responsabilidade pelo equilíbrio das contas públicas não pode ser atribuída apenas ao Executivo, apontando para desafios fiscais como precatórios e a expansão das emendas parlamentares, que exigem um pacto de responsabilidade entre todos os Poderes da República.

Para Mercadante, Lula não é apenas uma figura brasileira, mas uma referência mundial de estadismo, diálogo e paz. Ele argumentou que defender o projeto de governo e a estabilidade democrática contra extremismos é um dever histórico para aqueles que pensam no futuro do país. O presidente do BNDES encerrou o evento conclamando o empresariado e agentes econômicos a apoiarem a democracia, alertando sobre os perigos do extremismo e da violência política, e reforçando que o crescimento econômico sustentável só é possível em um ambiente de respeito à Constituição e ao Estado Democrático de Direito.