São Paulo — O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou nesta quarta-feira (23), durante a 5ª edição da J.Safra Investment Conference, que uma eventual eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência poderia levar a outras regiões do país uma cultura política que, segundo ele, se formou no Rio de Janeiro em meio à atuação de milícias e outros grupos criminosos.
No evento, Mercadante disse ver forte presença do crime organizado nas estruturas do Estado fluminense e relacionou esse cenário à disputa presidencial. Ele questionou se o país iria levar essa “cultura” para “os corações do Brasil”.
Críticas ao cenário no Rio de Janeiro
O presidente do BNDES destacou que o Rio reúne atrativos culturais e naturais, mas enfrenta, em sua avaliação, um problema político grave ligado à milícia, ao tráfico e ao jogo do bicho. Segundo ele, esses grupos estariam infiltrados no Estado.
Ao ampliar a fala para o cenário nacional, Mercadante mencionou o México como exemplo de alerta para o risco de organizações criminosas ganharem influência maior sobre instituições públicas. Ele usou a expressão “mexicanizar o Brasil” ao tratar dessa possibilidade.
Registro de candidaturas no TRE-RJ
A declaração ocorre em meio a decisões da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro contra candidaturas com suspeitas de ligação com organizações criminosas. Em setembro, o TRE-RJ indeferiu 15 registros, sendo 11 para deputado estadual, três para deputado federal e um para suplente de senador.
Parte das decisões foi baseada na chamada tese da “milícia de gravata”, usada em casos envolvendo organizações voltadas a crimes contra a administração pública. Outros registros foram barrados por suspeita de relação com milícias armadas. Essas decisões não significam condenação criminal e ainda podem ser contestadas.
Mercadante também criticou outra proposta atribuída a Flávio Bolsonaro, a de permitir participação dos Estados Unidos em uma eventual transição de governo. Para ele, esse processo envolve temas estratégicos como defesa, minerais críticos, diplomacia, finanças, Banco Central e o sistema Pix.






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