247 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deverá ocupar posição central na manifestação bolsonarista deste 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, em meio ao confronto aberto com Alexandre de Moraes em torno das investigações relacionadas ao Banco Master. O ato está marcado para às 14h30.

Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, o pastor Silas Malafaia, que tradicionalmente organiza a manifestação, pretende dedicar parte importante de seu discurso à defesa de Mendonça. Ao mesmo tempo, anunciou que fará críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Malafaia afirmou que vai “centrar fogo em Lula, [no ministro do STF] Alexandre de Moraes e [no procurador-geral da República, Paulo] Gonet”, defendendo a saída dos três de seus respectivos cargos.

O pastor também afirmou que pretende levar ao palanque o embate envolvendo Mendonça dentro do Supremo e “mostrar a trama que está em curso no STF para explodir o André Mendonça”.

“Não vou fazer defesa religiosa. Vou mostrar o que estão fazendo para detoná-lo, e o que está por trás de tudo isso”, declarou.

Malafaia promete alerta aos ministros do STF

Embora tenha anunciado críticas contundentes, Malafaia afirmou que não pretende atacar o Supremo como instituição nem fazer acusações infundadas contra seus integrantes.

O pastor disse que não vai “caluniar nem difamar” magistrados nem defender “a desmoralização do STF, um poder que tem que ser forte. Mas vou dar alerta aos ministros. Vou mostrar os perigos de uma Suprema Corte enfraquecida, que não tem o respaldo da população”.

Malafaia acrescentou que “não queremos vingança, mas Justiça”.

Nunes prepara camisetas de apoio a Mendonça

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também decidiu demonstrar publicamente apoio a Mendonça durante a manifestação. Nunes mandou produzir dez camisetas verdes e amarelas para serem distribuídas a pessoas que participarão do ato na Paulista.

As peças trazem as mensagens “Força Mendonça” e “Oramos por você!”.

“É isso aí, André Mendonça. Estamos com você”, afirmou o prefeito em um vídeo no qual mostra as camisetas.

Caso Master alimenta confronto entre Mendonça e Moraes

A manifestação ocorre após uma escalada na disputa entre Mendonça e Moraes envolvendo informações obtidas nas investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Na semana passada, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apresenta detalhes sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.

Moraes reagiu com a divulgação de relatórios de inteligência da PF que acusam Mendonça de agir de maneira seletiva na escolha de alvos, além de tentar conduzir as investigações e interferir nas tratativas para acordos de delação premiada de réus.

Segundo os documentos divulgados por Moraes, estariam entre os alvos de Mendonça o próprio ministro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Os relatórios sustentam ainda que Lulinha receberia tratamento diferente daquele dispensado a outros investigados em situação equivalente.

Documentos revelam mensagens entre Moraes e Vorcaro

O material tornado público por Mendonça, por sua vez, trouxe informações sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Segundo os documentos, Moraes editou o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

O material também revela uma intensa troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro às vésperas da primeira prisão do então banqueiro, ocorrida em 17 de novembro de 2025.

Na ocasião, Vorcaro informou ao ministro que tinha informações sobre reuniões sigilosas do Banco Central com a Polícia Federal relacionadas ao Master. O banqueiro também pediu ajuda para localizar inquéritos ainda sob sigilo contra ele, para que seus advogados pudessem atuar nos procedimentos.

De acordo com os documentos, Moraes respondeu diversas vezes ao então dono do Master. Parte das mensagens enviadas pelo ministro, porém, utilizava o recurso de visualização única e, por isso, não pôde ser recuperada pela Polícia Federal.