247 – O partido Rússia Unida, liderado pelo ex-presidente Dmitri Medvedev e apoiado pelo presidente Vladimir Putin, aparece na frente nas eleições para a Duma Estatal, segundo resultados parciais divulgados neste domingo (20). A legenda tinha 57,5% dos votos após a apuração de cerca de 14% das urnas.
A pesquisa de boca de urna do estatal Centro de Pesquisa da Opinião Pública da Rússia (VCIOM) também indicou vitória do Rússia Unida, com 49,4%. Na sequência aparecem o Partido Comunista, com 14,2%, e o Partido Liberal Democrático da Rússia (LDPR), com 10,7%. A sondagem, porém, não considerou os votos eletrônicos nem os de militares, o que, segundo o diretor do instituto, Valeri Fedorov, pode alterar as proporções finais.
“Por esse motivo, acredito que o resultado do Rússia Unida será maior, enquanto o dos partidos de oposição será menor”, afirmou Fedorov.
Medvedev, que preside o Rússia Unida, comemorou os primeiros números. Segundo a agência estatal RIA, ele afirmou que a legenda teve um “desempenho admirável” e declarou: “Agora precisamos colocar em prática as decisões do presidente”.
Primeira eleição parlamentar desde o início da guerra
A votação para a Duma Estatal, equivalente à Câmara dos Deputados, é a primeira realizada desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022. O Kremlin apresentou o pleito como uma demonstração de apoio popular ao governo e ao esforço de guerra.
A eleição envolve as 450 cadeiras da Duma Estatal. Além da votação por listas partidárias, parte dos deputados é escolhida por distritos eleitorais.
Os resultados iniciais mantiveram a vantagem do Rússia Unida também conforme a apuração avançou. Dados posteriores da Comissão Eleitoral Central indicaram 57,07% para a legenda governista após mais de 20% dos votos processados, contra 14,04% para os comunistas e 9,31% para o LDPR.
Ataque de drones atinge Moscou durante votação
O último dia do pleito também foi marcado por uma ofensiva ucraniana com drones contra Moscou e outras áreas russas. Segundo autoridades locais, três pessoas morreram na região da capital, enquanto outras duas foram mortas na região de Kherson, incluindo um funcionário eleitoral. Uma refinaria de petróleo também foi atingida e houve incêndios e danos à infraestrutura.
O prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, classificou a ofensiva como o maior ataque de drones contra a capital russa desde o início da guerra. “O maior ataque de drones inimigos foi repelido”, escreveu no Telegram.
Sobianin afirmou ainda: “Esse ataque sem precedentes foi claramente planejado com o objetivo de interromper as eleições. O inimigo não conseguiu.” Segundo ele, cerca de 1.600 drones foram empregados na ofensiva.
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou que responderia aos ataques com novas ações militares. Em comunicado, a pasta declarou: “Em resposta aos ataques do regime de Kiev contra alvos civis em território russo, o Exército russo continuará e intensificará seus ataques de alta precisão contra alvos militares em Kiev”.
Sistema eleitoral também foi alvo de ataques cibernéticos
Além dos ataques físicos, autoridades russas relataram ofensivas cibernéticas contra o sistema de votação e as redes de comunicação do país.
A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, afirmou que os ataques aparentavam ter sido conduzidos por “grupos altamente profissionais e bem coordenados, que utilizam ferramentas de inteligência artificial”. Ela, contudo, não apontou um responsável pela ofensiva.
O pleito ocorre, portanto, em meio a uma combinação de fatores excepcionais: continuidade da guerra na Ucrânia, ataques contra território russo, ofensivas cibernéticas e restrições à participação de candidatos contrários ao conflito.
Enquanto a apuração avança, os números disponíveis mantêm o Rússia Unida à frente e indicam a continuidade da predominância do partido governista na Duma Estatal. A votação, porém, permanece cercada por disputas sobre as condições em que a eleição foi realizada e sobre o grau de participação de forças efetivamente contrárias ao governo e à guerra.






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