247 – O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, para determinar o afastamento de Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (3) pela jornalista Natuza Nery, da GloboNews. 

O ministro André Mendonça anunciou a decisão após Moraes enviar a Fachin relatórios da Polícia Federal que teriam indicado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Moraes tomou a decisão nesta quinta-feira (3), no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O ministro também retirou o sigilo da decisão e dos documentos mencionados, além de determinar que a PGR (Procuradoria-Geral da República) seja informada sobre o caso.

Entenda

O ministro André Mendonça, do STF, divulgou material da PF sobre mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O magistrado não responde formalmente como investigado.

Um dos principais pontos do material envolve o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Metadados de uma minuta encontrada no celular de Vorcaro indicam que um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” modificou o documento.

As conversas também revelam que Vorcaro dava alta prioridade ao acordo. O banqueiro pediu a seu então sócio Angelo Silva que limitasse o acesso ao contrato. Em março de 2025, depois de identificar a falta de um pagamento, cobrou medidas imediatas e classificou o acerto como o “contrato mais importante” do banco.

O material apreendido pela PF registra ainda contatos entre Vorcaro e Moraes nos dias anteriores à primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Em uma mensagem, Vorcaro demonstrou gratidão ao ministro e à família dele. Em outra, solicitou uma reunião para o dia seguinte. Registros divulgados nesta terça-feira também mostram que o banqueiro consultou Moraes sobre a possibilidade de sair do país antes da prisão.

Os documentos também mencionam encontros presenciais entre os dois. As mensagens preservadas partiram de Vorcaro. Esses registros não trazem eventuais respostas atribuídas ao ministro. Assim, somente com esse material, não é possível definir como Moraes teria reagido aos pedidos feitos pelo banqueiro.

Outro elemento divulgado envolve cartões de crédito do Banco Master emitidos para filhos de Moraes, com limites de até R$ 300 mil. Segundo as mensagens, o administrador do escritório Barci de Moraes fez o pedido, que chegou diretamente a Vorcaro. O banqueiro autorizou o encaminhamento da solicitação. O escritório confirmou a emissão dos cartões, mas afirmou que eles nunca foram usados.