Nesta quinta-feira (24), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, copresidiu uma reunião ministerial em defesa da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). O evento ocorreu no mesmo dia em que diversas delegações, entre elas a do Brasil, deixaram o plenário da Assembleia Geral da ONU durante a fala do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

A reunião de apoio à UNRWA foi organizada pelo Brasil, Jordânia e Espanha, e contou com a presença do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. O encontro teve como objetivo reforçar a importância da agência em meio a uma série de ataques e medidas restritivas que têm afetado suas operações.

Reação a Netanyahu e críticas à UNRWA

A saída de representantes de diversos países, incluindo o Brasil, foi marcada por vaias durante o discurso de Netanyahu, levando o presidente da sessão, Khalilur Rahman, a intervir para pedir ordem. A delegação brasileira já havia adotado procedimento semelhante em 2025. O primeiro-ministro israelense reagiu às retiradas, chamando os presentes de “covardes morais”.

Durante a reunião ministerial, Mauro Vieira criticou veementemente as ações de Israel contra a UNRWA. Ele declarou que “há quase três anos, Israel vem conduzindo uma campanha orquestrada contra as operações, instalações e funcionários da UNRWA”. A agência registrou a morte de quase 400 funcionários na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, além de ter sua sede em Jerusalém Oriental demolida em janeiro e um centro de formação profissional invadido e confiscado em agosto.

A manifestação de Vieira ocorreu dois dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter criticado o governo israelense na abertura da Assembleia Geral da ONU. Lula fez referência a Netanyahu e afirmou que gerações de palestinos carregarão “a dor e o trauma deixados pelo genocídio” praticado contra mulheres e crianças em Gaza. Lula já havia retornado ao Brasil quando Netanyahu discursou.

A presença de Netanyahu em Nova York também coincidiu com um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra ele, por acusações de crimes de guerra e contra a humanidade. Embora os Estados Unidos não reconheçam a obrigação de executar o mandado, houve protestos na cidade contra a presença do primeiro-ministro. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, chegou a declarar que Netanyahu seria preso, mas depois admitiu não ter autoridade para tal.

Em paralelo, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, participou da Assembleia Geral por videoconferência, após ter o visto negado pelos EUA. Abbas expressou que os palestinos vivenciam “um dos períodos mais perigosos de sua história”, alertando que as ações de Israel em Gaza e na Cisjordânia ameaçam “a própria vida e a existência do povo palestino”.