O jornalista Marcelo D'Angelo criticou neste domingo (25 de outubro) a ausência de pronunciamento do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sobre a decisão do ministro Cristiano Zanin de estender a votação no segundo turno das eleições presidenciais. Para D'Angelo, o episódio revelou problemas de articulação entre os poderes.
Em entrevista ao vivo, D'Angelo questionou por que Fachin não tomou providências. Segundo o analista, o presidente da corte teria competência para suspender a determinação de Zanin, que prorrogou a votação (decisão cuja amplitude foi posteriormente esclarecida). "Um ministro do STF profere uma decisão que se sobrepõe ao Tribunal Superior Eleitoral e o Fachin tem aí na sua alçada o poder de cassar essa decisão", afirmou.
D'Angelo caracterizou o ocorrido como sintoma de desarticulação institucional. Na avaliação dele, o Supremo exerceu papel excessivamente protagonista durante o processo eleitoral. "O Supremo Tribunal Federal sequestrou o processo eleitoral aqui no Brasil em 2026", disse o jornalista. Ele também criticou o recurso a decisões individuais de ministros em matérias eleitorais.
Reforma do Judiciário no centro das negociações
D'Angelo prevê que a controvérsia sobre a prorrogação vai impulsionar discussões sobre reforma do Judiciário a partir da segunda-feira (26 de outubro). O tema, em sua avaliação, poderá influenciar as prioridades do próximo governo, independente de quem vencer o pleito entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Escolhas como a de novos ministros da Justiça e da Defesa, além de eventuais indicações ao STF, podem sofrer influência dessa discussão. "Não dá para se viver com tamanha insegurança jurídica", comentou.
Apesar das críticas, D'Angelo considera improvável que o resultado eleitoral seja contestado com base na ação de Zanin. Conforme o analista, os dados disponíveis durante a apuração não apontavam irregularidades em magnitude bastante para fundamentar uma disputa ampla do resultado.







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