Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição presidencial ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno, conquistando seu quarto mandato na presidência aos 80 anos. A vitória reverte uma desvantagem de 2,2 milhões de votos que Flávio tinha após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando o senador liderou com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula.
A BBC destaca que o resultado constitui uma reviravolta sem precedentes na história democrática brasileira desde a redemocratização de 1988. A agência britânica aponta que nenhum candidato presidencial havia conseguido reverter uma desvantagem e vencer a eleição após ser derrotado na primeira etapa da votação. A vitória de Lula também contraria a tendência recente observada na América Latina, onde votantes têm se direcionado para posições mais à direita.
A vantagem de Flávio após o primeiro turno levou analistas a apontar para o que viam como fim do ciclo político de Lula, argumentando que havia pouco histórico de viradas e que pesquisas tendiam a subestimar a força da direita. O presidente, no entanto, manteve a confiança em suas possibilidades e convocou seus apoiadores para mobilização durante as três semanas que separaram o primeiro do segundo turno.
Força política de Lula
A reeleição de Lula reafirma sua força política após superar obstáculos significativos. O presidente esteve preso por mais de 18 meses a partir de 2017, com as condenações anuladas em 2021 — o que permitiu sua candidatura e sua vitória em 2022 contra Jair Bolsonaro.
Durante a campanha, a equipe do presidente definiu o pleito como uma questão de soberania nacional, argumentando que o eleitorado enfrentava a escolha entre quem apoiava a bandeira brasileira e quem se alinhava aos interesses americanos.
Votação e questionamentos
Segundo apuração do Tribunal Superior Eleitoral, o segundo turno registrou extensão do horário de votação em duas horas em determinados locais a pedido de ambas as campanhas. A medida foi necessária devido a problemas no transporte público de algumas cidades e às condições meteorológicas adversas.
A campanha de Flávio Bolsonaro havia levantado questionamentos sobre o processo eleitoral antes mesmo do anúncio oficial dos resultados.







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