Rajiv Jain, cofundador da gestora GQG Partners, avalia que a turbulência dos mercados brasileiros após a reeleição do presidente Lula representa oportunidades de investimento. Segundo entrevista reproduzida pela Folha de S.Paulo, o executivo considera que a reação negativa foi desproporcional às perspectivas econômicas das empresas. A GQG Partners, que administra cerca de US$ 150 bilhões, é a maior acionista privada da Petrobras.
No pregão de segunda-feira (26), o Ibovespa caiu 17%, acionando o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde 2020. O real sofreu sua maior desvalorização em mais de duas décadas. A queda ocorreu porque parte significativa do mercado apostava na vitória de Flávio Bolsonaro, que havia ficado à frente de Lula no primeiro turno, temendo mudanças na política fiscal.
Para Jain, os investidores frequentemente atribuem consequências excessivas às mudanças políticas. Ele defende que o funcionamento das instituições brasileiras e os fundamentos econômicos das empresas devem guiar as decisões de investimento. "Na nossa avaliação, vender Brasil agora seria um erro." O executivo também sinalizou disposição para ampliar posições caso a pressão vendedora continue, afirmando que "podemos comprar se a venda ficar mais intensa."
Petrobras como referência de sucesso
A confiança de Jain tem como principal respaldo a experiência da GQG Partners com a Petrobras. Em 2022, quando investidores internacionais reduziram participações temendo mudanças com o retorno de Lula, a gestora adotou estratégia oposta e ampliou sua presença na estatal. Desde então, as ações acumulam retorno superior a 285% em dólares, considerando valorização dos papéis e dividendos distribuídos, desempenho que superou o de gigantes da tecnologia como Microsoft, Amazon e Alphabet.
Apesar de ter reduzido exposição ao Brasil nos últimos meses, a GQG mantém o país como sua maior aposta acima do peso do índice de referência entre emergentes. Em setembro, os ativos brasileiros representavam 14% da carteira do fundo de mercados emergentes, que possui patrimônio de aproximadamente US$ 18 bilhões. Em março, essa participação havia alcançado 24%. A redução ocorreu principalmente porque Jain direcionou recursos para empresas de semicondutores de Taiwan e da Coreia do Sul, refletindo uma reavaliação sobre perspectivas da inteligência artificial.
Jain reconhece desafios fiscais importantes que o Brasil enfrenta, como a necessidade de reduzir o déficit orçamentário e os custos de financiamento elevados. Ele avalia, porém, que o governo ainda dispõe de espaço para promover reformas capazes de melhorar o ambiente econômico. Além da Petrobras, identifica oportunidades em instituições financeiras e empresas de serviços públicos.
Na manhã de terça-feira (27), os mercados brasileiros apresentavam sinais de estabilização. O Ibovespa recuava aproximadamente 0,7%, enquanto o real se valorizava 1,1%. Para Jain, as oscilações recentes não alteram os fundamentos que tornam o Brasil um destino relevante para investimentos de longo prazo. "A política no Brasil nunca é tão boa quanto as pessoas acham nem tão ruim quanto imaginam. A resposta geralmente está em algum lugar no meio."







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