O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou nesta entrevista ao jornal O Globo que o PT errou ao iniciar a campanha focado apenas na defesa do legado do presidente Lula, sem atacar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio ao cenário eleitoral com empate técnico apontado pelas pesquisas.
Guimarães disse que a estratégia do “Lulinha paz e amor” e das inserções mais brandas não combina com a atual conjuntura política. Para ele, a campanha precisa desconstruir a imagem de “bom moço” atribuída ao adversário e enfrentar a narrativa construída por aliados do senador no ambiente digital.
Campanha mudou de ritmo, diz ministro
O ministro afirmou que a orientação do PT passou a ser de comparação direta e de combate às versões da oposição. Na avaliação dele, Flávio Bolsonaro representa “a própria cara do pai” e tem perfil mais radical em temas fiscais, na retirada de direitos sociais e na contenção do salário mínimo.
Guimarães reconheceu que a campanha demorou a ganhar força por causa do tom moderado dos primeiros programas, mas disse que houve mudança nas últimas semanas. Ele também projetou a possibilidade de a eleição ser decidida no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, embora tenha admitido que a disputa deve seguir apertada até o fim.
Bets, STF e Congresso entram na pauta
Na entrevista, o ministro também comentou a ofensiva do governo contra as apostas esportivas, as chamadas bets. Segundo ele, o assunto ainda é discutido internamente, com possibilidade de banimento total ou de regras mais duras, já que o tema virou um problema social que atinge famílias.
Guimarães ainda defendeu a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ao dizer que ela foi decisiva para barrar tentativas de golpe e garantir o resultado das urnas. Ele também citou a expectativa de votação da PEC da jornada 6×1 entre o primeiro e o segundo turno, sob comando de Davi Alcolumbre (União-AP), e minimizou as articulações de PP, União Brasil e Republicanos em torno de um eventual apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Para o ministro, qualquer aliança em uma frente ampla contra o retrocesso precisa se refletir na ocupação de cargos no governo e envolver compromisso integral com o projeto de gestão do país.






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