O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou, nesta segunda-feira (28), o complexo hospitalar da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará, em Belém. Na ocasião, conheceu a nova estrutura do Hospital São João de Deus e destacou a realização da primeira cirurgia robótica de próstata na Amazônia por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e outras autoridades acompanharam o presidente.
Durante a visita, Lula expressou o objetivo de expandir o uso da cirurgia robótica para outros procedimentos. Ele associou a incorporação de novas tecnologias à estratégia governamental de aumentar o acesso da população a tratamentos de maior complexidade. A inclusão da prostatectomia radical assistida por robô na tabela de procedimentos do SUS, formalizada por uma portaria do Ministério da Saúde em 2026, abriu caminho para o financiamento desse tipo de intervenção na rede pública.
Tecnologia e acesso na saúde pública
O presidente ressaltou que a precisão dos robôs em cirurgias pode reduzir o tempo de internação e minimizar os riscos. “O robô é muito mais preciso do que a mão do ser humano no manuseio de uma cirurgia. Ele não corta um milésimo além daquilo que tem que cortar. Ele não fere onde não tem que ferir”, declarou. Lula afirmou que a experiência não deve se limitar à cirurgia de próstata, com planos de expandir para outros tipos de operações.
Em seu discurso, Lula defendeu o SUS e listou diversas políticas implementadas ou ampliadas por sua gestão, como o Samu, o Farmácia Popular, o Brasil Sorridente e a expansão de equipamentos de radioterapia. Ele mencionou a gratuidade de 41 itens no Farmácia Popular, que atendeu mais de 24,5 milhões de pessoas em 2026, incluindo medicamentos, fraldas geriátricas e absorventes higiênicos.
Uma das prioridades destacadas por Lula é a redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento, especialmente em casos de câncer. Ele afirmou que o objetivo é garantir que o tratamento comece em no máximo 30 dias após a detecção da doença. “Ninguém vai morrer esperando. Nós vamos salvar as pessoas quando for possível salvar as pessoas”, enfatizou.
Investimentos e alcance dos serviços
Lula reiterou a importância de garantir que o acesso à saúde pública não seja determinado pela renda. “Tem que garantir ao pobre o direito do rico. É só isso. Eu não quero tirar nada de nenhum rico. Se eu puder, eu tiro um pouquinho, faço ele pagar mais imposto para melhorar a vida dos pobres”, disse. O presidente também mencionou a aquisição de 3,3 mil veículos, com investimento de mais de R$ 1,4 bilhão, para transporte de pacientes que precisam se deslocar para consultas e tratamentos em outros municípios, como parte do programa Agora Tem Especialistas.
Outro ponto abordado foi o uso de unidades móveis para levar atendimento especializado a regiões com menor oferta de serviços. Em setembro, 120 carretas do programa Agora Tem Especialistas haviam realizado mais de 1 milhão de procedimentos, atendendo 410 mil pessoas em 4.290 municípios. Lula também pediu maior divulgação do Brasil Sorridente, enfatizando a importância do tratamento odontológico como parte essencial da assistência pública.
O presidente relatou ter visto uma criança de 10 anos recebendo um medicamento de alto custo pelo SUS, estimado em R$ 5 milhões anuais. Ele usou o exemplo para justificar os gastos públicos com tratamentos caros, questionando: “Parece caro, mas a gente está salvando uma vida. Quanto custa uma vida de uma criança de 10 anos?”.






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