247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, reduziu o núcleo central de sua campanha a quatro integrantes e avalia convocar novos nomes para reforçar o comando eleitoral, entre eles o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. A reorganização ocorre em meio à insatisfação do petista com a dificuldade de melhorar os índices de aprovação do governo.

As informações são da Folha de S.Paulo, que relata ter ouvido auxiliares e aliados do presidente. Segundo a publicação, Lula esperava uma reação mais expressiva da avaliação de sua gestão após o início da propaganda eleitoral, mas os números permaneceram praticamente estabilizados.

O grupo mais restrito que atualmente conduz as principais discussões da campanha reúne os ministros Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, além do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e de Paulo Okamotto, aliado histórico de Lula, que participa de algumas reuniões.

Outros integrantes da equipe de comunicação e ministros próximos ao presidente são chamados de acordo com os temas em discussão. É o caso do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

Mercadante é cotado para reforçar campanha

De acordo com auxiliares ouvidos pela Folha, Lula estuda ampliar o comando eleitoral com a entrada de Aloizio Mercadante. Para participar diretamente da campanha, o atual presidente do BNDES teria de se licenciar do cargo.

A possível incorporação de Mercadante, somada à presença de Sidônio Palmeira, alimentou internamente comparações com a equipe que conduziu a campanha presidencial petista em 2022.

Outros integrantes daquele grupo, porém, enfrentam obstáculos para uma eventual reintegração. Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo PT do Paraná e ex-ministra, disputa uma vaga ao Senado em seu estado e teria dificuldades para manter presença frequente em Brasília.

Já o deputado Rui Falcão (PT-SP) encontraria resistência de Edinho Silva. Os dois estiveram em lados opostos na disputa pela presidência nacional do PT em 2025.

Aprovação preocupa aliados

A preocupação de Lula se concentra especialmente na dificuldade de alterar a avaliação do governo. Segundo a pesquisa Datafolha mencionada pela Folha, 42% dos eleitores classificam a administração como ruim ou péssima, enquanto 31% consideram o governo ótimo ou bom. Outros 25% avaliam a gestão como regular.

No cenário eleitoral de primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário.

Em uma eventual disputa de segundo turno, o levantamento registra empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais: Lula soma 46%, diante de 44% de Flávio.

A avaliação dentro da campanha é de que a manutenção desses patamares, mesmo depois do início da propaganda eleitoral, exige ajustes na estratégia para a fase seguinte da disputa.

Atrasos e poucos atos nos estados entram no diagnóstico

Além dos números de avaliação do governo, aliados apontam problemas operacionais na campanha. Entre eles estão atrasos na distribuição de materiais eleitorais e a realização de um número considerado baixo de comícios e grandes eventos nos estados.

A Folha relata ainda que a decisão de Lula de restringir o núcleo da campanha também foi influenciada por vazamentos sobre estratégias discutidas nas reuniões de uma coordenação ampliada.

As críticas à condução da campanha não partem apenas do presidente. Aliados ouvidos sob reserva também manifestaram incômodo com algumas decisões tomadas durante eventos públicos.

Um dos pontos mencionados é a resistência de Lula a seguir roteiros previamente preparados para atos considerados importantes. Na convenção partidária, por exemplo, o presidente abandonou o discurso escrito e falou durante cerca de uma hora e 20 minutos.

Na mesma ocasião, Lula entregou o microfone para que a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, discursasse. Desde então, Janja passou a participar com falas nos atos eleitorais e também a cantar ao lado de um pastor evangélico.

Fim da escala 6×1 também gera questionamentos

Outro episódio citado por integrantes do PT e aliados foi o lançamento da candidatura de Lula em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Segundo relatos à Folha, dirigentes não compreenderam por que o presidente deixou de defender explicitamente o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso durante o evento.

A redução da jornada ocupa espaço relevante na campanha petista e, segundo os aliados mencionados pela reportagem, tem respaldo majoritário entre a população.

A ausência do tema chamou ainda mais atenção porque o ato em São Bernardo recuperou a trajetória de Lula como sindicalista, histórico diretamente relacionado às discussões sobre jornada e condições de trabalho.

Na ocasião, o presidente voltou a discursar de improviso. A combinação de problemas operacionais, dificuldade de avançar nos indicadores de aprovação e questionamentos sobre a condução dos eventos passou, assim, a alimentar as mudanças que Lula promove no núcleo responsável por sua tentativa de conquistar um novo mandato.