O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a privatização da BR Distribuidora e anunciou que o governo federal pretende reativar sua capacidade de intervenção no setor de combustíveis e gás. As declarações foram feitas durante uma entrevista a veículos alternativos nesta quarta-feira, dia 30.

Para o chefe do Executivo, a venda de patrimônio público enfraqueceu os mecanismos estatais de fiscalização e regulação de preços para os consumidores. Lula argumentou que conflitos internacionais e a geopolítica global impactam diretamente o custo de vida no Brasil, afetando itens essenciais como os da cesta básica.

Impacto Internacional e Subsídios

Lula apontou que a inflação dos alimentos precisa diminuir e mencionou a guerra na Ucrânia e o Estreito de Ormuz como fatores externos que influenciam o mercado energético mundial. Ele criticou as decisões geopolíticas dos Estados Unidos, como a ação contra o general iraniano Qassem Soleimani, que, segundo o presidente, agravou as tensões no Oriente Médio e contribuiu para o aumento do preço do combustível.

O presidente destacou o esforço financeiro do governo para mitigar o impacto desses aumentos internacionais nos preços domésticos. Ele informou que a União está destinando R$ 47 bilhões em subsídios para evitar que a alta da gasolina e do diesel afete diretamente o bolso do consumidor e, consequentemente, o preço dos alimentos básicos.

Retomada do Controle Estatal

Apesar dos subsídios, o presidente ressaltou que a perda de estatais estratégicas, como a BR Distribuidora, dificultou a fiscalização e o combate a possíveis abusos de margem no mercado. "Ficou mais difícil fiscalizar, porque eles privatizaram a BR. E aí não tem como fiscalizar", afirmou Lula, mencionando uma reunião recente com órgãos fiscalizadores.

Diante desse cenário, Lula anunciou a intenção de o Estado retomar a atuação direta na distribuição e regulação de preços. "Eu vou comprar uma distribuidora. Vou comprar outra vez. Eu tinha comprado uma de gás e eles venderam. Era para regular", declarou o presidente, lembrando que o gás que saía da Petrobras a R$ 35 chegava ao consumidor a R$ 150.

O presidente questionou os benefícios da desestatização da distribuidora de combustíveis, apontando os prejuízos de imagem e financeiros ao setor público. Ele afirmou que a privatização gerou a percepção de que o governo é responsável pelos aumentos de preços, mesmo após a venda. Lula assegurou que sua gestão trabalhará para reestabelecer o papel estratégico do Estado na garantia de preços justos e acessíveis para serviços essenciais.