Lula foi eleito para um quarto mandato como presidente do Brasil no domingo (25), consolidando sua permanência à frente do país apesar da idade avançada e dos desafios políticos. Na terça-feira (27), completará 81 anos. A campanha foi desgastante, deixando marcas visíveis em sua voz mais rouca e no rosto cansado.
Durante a corrida eleitoral, os efeitos do tempo foram evidentes em Lula. O chapéu Panamá adotado após um câncer de pele, os cabelos grisalhos e ralos, e a barba branca marcam a imagem de quem vivenciou décadas de atividade política. Paradoxalmente, afirmou estar em melhor forma que nunca, apresentando vídeos realizando exercícios. Uma transformação recente o define: o líder que outrora desprezava o celular transformou-se em "rei da selfie", prática que intensificou principalmente após ficar atrás do conservador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
Da fábrica ao Palácio do Planalto
Lula nasceu em 27 de outubro de 1945 em Caetés, Pernambuco, filho de uma família pobre de lavradores. Durante a infância, mudou-se para o Guarujá, no litoral paulista, em fuga da miséria. Aos 14 anos começou a trabalhar como operário, experiência em que perdeu um dedo. Tornou-se líder sindical e conduziu importantes greves no final dos anos 1970, ainda sob o regime militar.
Após três derrotas presidenciais consecutivas, o ex-metalúrgico enfim ingressou no Palácio do Planalto em 2003. Reeleito em 2006, deixou o cargo com índices recordes de aprovação popular, sustentados por políticas sociais financiadas pela expansão do comércio de commodities. No cenário internacional, consolidou-se como representante do Sul Global e defensor do multilateralismo, embora suas afinidades com regimes autoritários de esquerda, como o da Venezuela sob Hugo Chávez, gerasse polêmica.
Legado social e sombras do passado
O Bolsa Família permanece como seu principal legado, apesar de contar com mais de 20 anos. Pai de cinco filhos, afirmou recentemente não desejar "ser mais o presidente só do Bolsa Família". Seu terceiro mandato apresenta características de "remake", com inovações limitadas. No retorno ao poder, retomou programas sociais desmantelados por Jair Bolsonaro e controlou o avanço da destruição da Amazônia.
Uma sombra persiste em sua trajetória: a condenação por corrupção que resultou em 580 dias de prisão entre 2018 e 2019. A sentença foi posteriormente anulada após reconhecimento de irregularidades processuais e parcialidade do juiz Sérgio Moro, porém a direita continua ecoando "Lula ladrão". Em paralelo, Bolsonaro, seu rival nas eleições de 2022, foi posteriormente condenado por tentar um golpe de Estado.
Durante a campanha, a terceira esposa de Lula, Rosângela da Silva, conhecida como "Janja", de 60 anos e socióloga feminista, esteve presente constantemente, gerando críticas por sua onipresença após o primeiro turno. Com essa vitória, Lula estabelece um feito histórico: nenhum outro presidente eleito democraticamente governou por período tão longo no Brasil.







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