A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a atuar com um cenário mais restrito de alianças para um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio ao avanço do adversário nas pesquisas e à proximidade da eleição.

Segundo aliados do petista, a prioridade agora é tentar neutralizar o PSD, ligado a Ronaldo Caiado, e abrir canais de conversa com pessoas próximas de Augusto Cury (Avante). As informações foram publicadas pela Folha de São Paulo.

PSD vira alvo da articulação lulista

Entre os articuladores de Lula, a avaliação é que a chance de vitória no primeiro turno, considerada possível meses atrás, deixou de ser viável na reta final da campanha. O principal problema, dizem, é que os nomes mais fortes fora de um eventual segundo turno tendem a estar no campo antipetista.

Na estratégia do presidente, o PSD é visto como uma legenda com possibilidade de neutralidade nacional. O partido poderia adotar essa posição sem um acordo direto com Caiado, e a negociação passaria pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, vice na chapa do governador.

Com isso, Lula buscaria apoios regionais de lideranças pessedistas, incluindo nomes que já estão com o presidente no primeiro turno. A leitura interna é que parte do eleitorado de Caiado rejeita Lula, mas também resiste a Flávio Bolsonaro, o que abriria espaço para reduzir a vantagem do candidato do PL nesse segmento.

Olhar sobre os votos de Cury e de outros adversários

Outro movimento da campanha envolve Augusto Cury, que aparece em terceiro nas pesquisas e afirma que não apoiará nem Lula nem Flávio Bolsonaro em caso de segundo turno. Ainda assim, aliados do presidente tentam se aproximar de pessoas ligadas ao candidato do Avante.

No partido, Lula já encontra setores alinhados à sua base. Um exemplo citado é o da Bahia, onde o presidente estadual do Avante, o deputado Ronaldo Carletto, é primeiro suplente na chapa de Rui Costa (PT) ao Senado. Rui Costa é um dos principais aliados de Lula e pode voltar ao governo em caso de reeleição.

A campanha petista também acompanha a transferência de votos de Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), ambos identificados com o antipetismo. Em simulação divulgada pela Folha, Flávio Bolsonaro aparece com 43% entre eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema em um segundo turno, contra 30% de Lula; 26% dizem votar branco, nulo ou em nenhum dos dois.