A corrida presidencial revela um empate no cenário nacional, mas as pesquisas regionais divulgadas neste domingo (27) pelo diretor do instituto Quaest, Felipe Nunes, indicam divisões geográficas claras. De acordo com os dados, o Brasil eleitoral se divide em “três Brasis” neste primeiro turno.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em primeiro lugar em dez unidades federativas. Isso inclui todos os nove estados da região Nordeste, além do Amapá. Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) detém a liderança em oito estados: Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima.

Cenário de empates e eleitorado independente

Nove estados apresentam empate técnico dentro da margem de erro, o que inclui importantes polos eleitorais como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Felipe Nunes observa que o padrão de votação atual é muito semelhante ao de 2022, com o eleitorado mantendo-se estável, mesmo com a mudança de nomes.

A análise também destaca a importância do eleitorado independente, que representa entre 24% e 36% do total de votantes nos estados. Esses eleitores podem ser decisivos, especialmente em locais como Rio de Janeiro (36%), Amazonas (35%), Tocantins (33%), Rio Grande do Sul (33%) e Goiás (33%). Lula tem conseguido expandir sua base para além de seu eleitorado tradicional, especialmente no Nordeste. Já Flávio Bolsonaro encontra desafios para consolidar sua base total em estados como Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e São Paulo.

Aprovação do governo e expectativa de vitória

A aprovação do governo federal influencia diretamente a divisão do mapa eleitoral. O saldo de aprovação é positivo no Nordeste, no Amazonas (+7) e no Pará (+4), mas permanece negativo em toda a região Centro-Sul. Minas Gerais e Tocantins registram cenários de empate na aprovação, indicando disputas acirradas.

Apesar dos empates regionais, a percepção de favoritismo tende para o atual presidente. Em São Paulo, mesmo em um cenário de empate ou desvantagem, 50% dos eleitores acreditam na vitória de Lula. No Rio de Janeiro, a expectativa de vitória é de 49% a 37% a favor de Lula, e no Paraná, 44% a 40%. Flávio Bolsonaro é apontado como provável vencedor pela maioria da população em apenas 7 estados.

Volatilidade e disputas locais

A última semana da campanha se mostra decisiva devido à volatilidade de votos. Entre os eleitores que já declararam voto, a fatia daqueles que podem mudar sua escolha varia de 11% a 23%. Os estados com maior volatilidade incluem Paraná (23%), Amapá (21%), São Paulo (20%), Santa Catarina (20%), Minas Gerais (19%) e Distrito Federal (19%).

Para os governos estaduais, 7 estados já apresentam um provável vencedor no primeiro turno: Roraima, Amapá, Piauí, Paraíba, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina. No entanto, em 14 estados, os cenários ainda estão indefinidos. A aprovação de governos estaduais não se traduz automaticamente em votos para seus candidatos apoiados. Para o Senado, a disputa é ainda mais aberta, com uma alta taxa de indecisos na pesquisa espontânea.