O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou sua estratégia na reta final da campanha eleitoral, divulgando na última sexta-feira, 25 de setembro, a proibição de apostas online e o lançamento do programa Desenrola Brasil 3.0. Em uma corrida eleitoral apertada com o senador Flávio Bolsonaro (PL), essas iniciativas visam dar um teor econômico à sua busca por terminar o primeiro turno, em 4 de outubro, na primeira posição. As duas propostas buscam atender à carência financeira das famílias brasileiras.

Impacto político e histórico

Politicamente, a abordagem de Lula permite ao governo apresentar sua intervenção como uma solução para o endividamento, na tentativa de converter essa agenda em votos. Essa aposta eleitoral é respaldada por padrões observados em eleições presidenciais anteriores no Brasil. Desde a retomada do voto direto em 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu vencer a disputa final. Das sete eleições decididas em dois turnos até 2022, o candidato que saiu na frente confirmou a vitória, com exceção de Fernando Henrique Cardoso, que venceu em primeiro turno em 1994 e 1998. Os exemplos incluem Fernando Collor, o próprio Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro, que lideraram a primeira votação antes de vencer a eleição.

Outro fator histórico relevante é o papel de Minas Gerais. Em todas as nove eleições presidenciais realizadas entre 1989 e 2022, o vencedor nacional também foi o mais votado no estado, o que torna o resultado mineiro um indicador importante para a corrida ao Palácio do Planalto. Embora esses precedentes expliquem a importância política de liderar o primeiro turno, eles não garantem a repetição dos resultados, nem há uma transferência automática de votos de Minas para a Presidência, já que a eleição depende da soma dos votos em todo o país.

Novas medidas e suas implicações

É nesse contexto que as duas recentes ações de Lula se inserem. A proibição das apostas esportivas, anunciada em 25 de setembro, eleva o combate a essas práticas a uma decisão governamental na semana que antecede a votação, gerando um conflito com Flávio Bolsonaro, que defendeu a manutenção das apostas esportivas, diferenciando-as de cassinos digitais. O Desenrola Brasil 3.0, por sua vez, promete a redução de dívidas através da compra de carteiras de crédito pelo governo, com descontos integrais aos consumidores.

No entanto, há uma diferença entre o anúncio e a efetivação dessas medidas. O início do repasse dos descontos aos devedores, por exemplo, está previsto apenas para fevereiro de 2027, o que indica que a execução dessa modalidade ocorrerá após as eleições. Uma pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro já indicava uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Contudo, como a coleta de dados ocorreu antes dos anúncios, não é possível atribuir a essas medidas qualquer variação nas intenções de voto. O desafio imediato de Lula é convencer os eleitores de que essas decisões anunciadas trarão melhorias em suas vidas, um resultado que dependerá do voto de 4 de outubro, e não da repetição de padrões históricos.