O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, avançou nas tratativas para levar ao plenário do Senado a proposta que estabelece o fim da escala de trabalho 6x1. A expectativa é que a votação ocorra logo após o primeiro turno das eleições, com integrantes do governo recebendo sinalização positiva da cúpula do Senado para que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), paute a matéria. As negociações nos bastidores já duram semanas, e a possibilidade de uma sessão na próxima semana também está em análise, embora sem data definida.

Essa movimentação ocorre após Alcolumbre ter declarado publicamente, no início de setembro, que a proposta seria levada ao plenário somente após as eleições. Naquele momento, o texto já havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não seguiu para a votação dos senadores. Para a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição no plenário, são necessários ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos.

Estratégia eleitoral em foco

Além das implicações trabalhistas, a votação ganhou destaque na estratégia eleitoral do Palácio do Planalto. Fontes ligadas à campanha indicam que a aprovação do fim da escala 6x1 pode beneficiar Lula em uma disputa acirrada com o senador Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisas eleitorais realizadas às vésperas do primeiro turno mostram Lula e Flávio com resultados próximos, muitas vezes dentro da margem de erro, tanto no primeiro turno quanto em simulações de segundo turno.

Nesse cenário, a redução da jornada de trabalho é vista como uma medida capaz de mobilizar o eleitorado na reta final da disputa. O governo já implementou outras iniciativas de impacto social durante o período eleitoral, como o reajuste de 15% do Bolsa Família e mudanças relacionadas a apostas online. No entanto, o fim da escala 6x1 permanecia como uma das principais propostas pendentes na agenda defendida por Lula.

Histórico da proposta

A redução da jornada de trabalho, inicialmente, não estava entre as prioridades do Executivo. O tema ganhou força no governo ao longo do primeiro semestre, em meio a desafios na avaliação popular de Lula. A partir daí, o Planalto passou a apoiar a proposta e a incorporar a mudança à plataforma do presidente para um possível quarto mandato. Lula tem expressado publicamente o desejo de ver o fim da escala 6x1 aprovado ainda neste ano.

O governo tentou acelerar a votação durante o esforço concentrado do Congresso antes do primeiro turno, mas não conseguiu concluir a tramitação no Senado. Em 3 de setembro, Alcolumbre afirmou no plenário que a análise ficaria para depois das eleições, dirigindo-se ao senador Paulo Paim (PT-RS) e declarando: “O senador Paulo Paim está aqui na mesa e vou dizer a vossa excelência e ao Brasil que vossa excelência estará aqui votando após as eleições o fim da escala 6x1 no plenário do Senado Federal”.