Com a reta final da corrida presidencial de 2026 se aproximando, o cenário político se mostra favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo levantamentos divulgados, consolidou uma vantagem expressiva. Essa liderança o coloca em uma posição que, para alguns analistas, dispensa sua presença no debate da TV Globo, marcado para esta quinta-feira.

A virada no panorama eleitoral começou a ser notada com a pesquisa BTG/Nexus, divulgada na madrugada de segunda-feira, que apontou uma possibilidade real de vitória de Lula já no primeiro turno. Na modalidade espontânea, o presidente atingiu 47,7% dos votos válidos, contra 40,7% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de sete pontos. Horas depois, a pesquisa Quaest, encomendada pelo Grupo Globo, corroborou a tendência, mostrando Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Bolsonaro permaneceu em 34%. Os dados da Quaest também indicam uma aceleração do voto útil e a redução do número de eleitores indecisos.

Fatores que impulsionam a campanha de Lula

O apoio ao presidente Lula parece estar ancorado em entregas econômicas e sociais concretas. O reforço contínuo do programa Bolsa Família, as ações contra as apostas online e as políticas de saúde pública, como a distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS, são apontados como fatores que garantem uma tração decisiva, especialmente entre o eleitorado feminino.

No campo adversário, Flávio Bolsonaro enfrenta desafios, incluindo um isolamento político e o esgotamento de seu teto eleitoral. Sua recente desavença com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao acusar bispos de espalharem desinformação, gerou uma nota de repúdio contundente, prejudicando sua tentativa de unificar setores conservadores e cristãos do país.

Ausência estratégica no debate

A não participação de Lula no debate da Globo é vista como uma escolha tática inteligente. Com a confirmação da presença de Flávio Bolsonaro, a ausência do líder das pesquisas transformaria o palco do debate em um espaço onde os concorrentes diretos de Bolsonaro – Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury – teriam a oportunidade de disputar o espólio da direita. A história política recente sugere que boicotes estratégicos, quando a liderança já está estabelecida, são assimilados pelo eleitorado sem perdas significativas de votos.

Além disso, a dimensão da própria liturgia do cargo presidencial é considerada. Mais do que um candidato à reeleição, Lula é o Presidente da República. A expectativa é que ele não rebaixe a dignidade do cargo para se expor a provocações e agressões em um ambiente de debate eleitoral. A estratégia agora seria de cautela e prudência, mantendo a posse do jogo e consolidando a vantagem até o apito final.