Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula defendeu a soberania do Brasil, o multilateralismo e a multipolaridade, em discurso feito antes da fala de Donald Trump. O presidente brasileiro afirmou o direito do país de decidir sobre território, recursos e desenvolvimento.

Ao tratar da economia, Lula disse que a riqueza natural pertence ao povo brasileiro e vinculou o acesso a minerais críticos e terras raras à geração de valor no país, à transferência de tecnologia e ao atendimento de setores estratégicos.

confronto de visões na onu

No pronunciamento, Lula também criticou a divisão do mundo em zonas de influência e defendeu uma ordem internacional com mais participação de países da África, da Ásia e da América Latina nas decisões sobre conflitos, comércio, tecnologia e financiamento do desenvolvimento.

Ele ainda questionou a paralisia da ONU diante de guerras e cobrou vontade política para que a organização volte a proteger vidas. Para o presidente, regras comuns só têm legitimidade se valerem para todos, inclusive as grandes potências.

Na parte dedicada à paz, Lula voltou a classificar a ação do governo de Benjamin Netanyahu em Gaza como genocídio e defendeu a solução de dois Estados. Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, afirmou que a saída depende de negociação.

trump fala em força militar e amplia pressão sobre adversários

Trump, que discursou em seguida, afirmou que os Estados Unidos podem recorrer à força militar quando considerarem seus interesses ameaçados. Ele também repetiu ameaças contra o Irã, defendeu isolamento econômico total do país e fez declarações sobre Venezuela e Cuba.

Ao abordar a América Latina, Trump sustentou que Washington pode usar seu poder militar para assegurar interesses no hemisfério. Lula, por outro lado, defendeu cooperação internacional para enfrentar problemas como crime organizado, sem tutela externa sobre as decisões do Brasil.