247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18), durante ato em Guarulhos, na Grande São Paulo, que pretende acabar com as plataformas de apostas online no Brasil. Em seu discurso, Lula classificou a expansão das bets como um problema de saúde pública e afirmou que a proteção das famílias deve prevalecer sobre os interesses econômicos e a arrecadação proporcionada pelo setor.
“Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets nesse País”, afirmou Lula. Segundo o presidente, a jogatina pela internet deixou de ser uma forma de entretenimento e se transformou em um problema de dependência. “Essa jogatina de internet não é jogo de aposta, é um vício. É uma doença chamada ludopatia”, disse.
“Arrecadação não pode valer mais que as vidas”
Lula afirmou que não pretende subordinar uma eventual decisão sobre as bets à receita tributária produzida pelo setor. No discurso, mencionou a cifra de R$ 62 bilhões relacionada às apostas e sustentou que o impacto humano deve ser o principal critério considerado pelo poder público.
“O governo não está preocupado em perder imposto. O que a gente não pode perder é a vida dos pobres jogando”, declarou.
O presidente relatou ter conversado com pessoas que desenvolveram dependência das apostas, incluindo jovens e pessoas que acumularam dívidas sem conhecimento de suas famílias. Lula mencionou ainda o caso de uma jovem que teria tentado tirar a própria vida três vezes.
Segundo Lula, esses relatos reforçaram sua disposição de enfrentar o setor. O presidente associou o crescimento das apostas ao endividamento familiar e afirmou que pretende também combater irregularidades relacionadas à atividade.
Lula rebate clubes de futebol
Outro ponto do discurso foi a reação de Lula aos clubes que manifestaram preocupação com possíveis restrições às bets. Grandes equipes brasileiras argumentam que medidas contra o setor poderiam provocar perdas expressivas de receitas provenientes de patrocínios.
Lula rejeitou o argumento de que o futebol brasileiro depende das empresas de apostas. O presidente lembrou que grandes conquistas de clubes e da Seleção Brasileira ocorreram muito antes da disseminação das bets no País.
“Então esse negócio de que se acabar com as bets vai acabar com o futebol é uma balela”, afirmou.
O presidente disse que pretende conversar com os clubes sobre o tema. Segundo ele, o combate às apostas também pode contribuir para enfrentar crimes financeiros associados ao setor. “Vou acabar com a lavagem de dinheiro, com a safadeza e a roubalheira”, declarou.
O governo estuda mudanças nas regras do setor. Segundo informações publicadas pela Reuters, uma das alternativas em discussão é uma medida provisória para proibir cassinos online, embora o desenho da proposta ainda esteja em debate e enfrente preocupações jurídicas e fiscais.
Haddad critica governo Tarcísio
No mesmo ato em Guarulhos, o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad criticou a administração de Tarcísio de Freitas e defendeu uma mudança no comando do Estado.
Haddad concentrou suas críticas em áreas como educação, saúde e segurança pública e pediu mobilização de seus apoiadores na reta final da campanha. O candidato afirmou que conquistar uma parcela dos eleitores ainda indecisos pode alterar o quadro eleitoral paulista.
Também participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin e as candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet.
Marina defendeu maior participação feminina na política e criticou aspectos das políticas de segurança e educação do governo paulista. Simone Tebet, por sua vez, destacou temas econômicos e trabalhistas, incluindo a política de valorização do salário mínimo.
O discurso de Lula sobre as bets, porém, foi um dos principais temas do ato. Ao apresentar as apostas online como uma questão de saúde pública, o presidente sinalizou que pretende colocar o tema no centro do debate nacional sobre endividamento, proteção das famílias e regulação dos jogos pela internet.






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