O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as críticas direcionadas ao senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, declarando que o adversário ingressou na vida política com o suporte de grupos criminosos e milicianos no Rio de Janeiro. As afirmações foram feitas durante uma entrevista concedida a produtores de conteúdo nesta quarta-feira, 30 de outubro.
Lula questionou a trajetória profissional e política de Flávio Bolsonaro, mencionando que o senador, eleito vereador do Rio de Janeiro pela primeira vez no ano 2000, aos 21 anos, não possuiria experiência profissional anterior à sua carreira política. O presidente destacou a falta de biografia e de trabalho prévio de Flávio, associando sua eleição aos 21 anos ao apoio do crime organizado e das milícias cariocas, um vínculo que, segundo Lula, se manteve desde então.
Críticas se estendem à família Bolsonaro
As acusações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro com milicianos têm sido um ponto recorrente nas declarações de Lula na reta final da campanha presidencial. Reportagens anteriores já haviam documentado relações da família Bolsonaro com membros de forças de segurança que, posteriormente, foram identificados em investigações sobre milícias. O próprio Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual, chegou a homenagear o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, mais tarde apontado pelas autoridades como líder de um grupo miliciano.
Durante a mesma entrevista, o presidente Lula também direcionou críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Lula, a trajetória política de Flávio espelha o caminho trilhado pelo pai. Ele afirmou que Jair Bolsonaro 'nunca trabalhou', citando sua passagem pelo Exército, uma suposta tentativa de 'estourar um quartel' e a subsequente carreira como deputado por 29 anos. Esta caracterização da passagem de Bolsonaro pelo Exército já foi feita anteriormente por Lula, referindo-se a um episódio de processo na Justiça Militar na década de 1980; Bolsonaro deixou o Exército em 1988, ano em que iniciou sua carreira política.
Disputa familiar em eleições passadas
Lula também relembrou um episódio envolvendo Carlos Bolsonaro, outro filho do ex-presidente. Em 2000, Carlos disputou uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro aos 17 anos, na mesma eleição em que sua mãe, Rogéria Bolsonaro, também era candidata. Carlos foi eleito vereador na ocasião. Ao recordar o fato, Lula acusou Jair Bolsonaro de ter apoiado Carlos na disputa contra a própria mãe, com quem o então deputado estava politicamente rompido na época. Lula descreveu o acontecimento como 'abominável', citando uma suposta declaração de 'que viva o mais esperto'.
Estas críticas fazem parte de uma série de ataques de Lula a Flávio Bolsonaro durante a campanha. Na semana passada, o presidente já havia associado o adversário ao crime organizado ao comentar uma emenda parlamentar de R$ 200 mil, destinada em 2023 a um projeto social em uma área da zona oeste do Rio de Janeiro sob influência de milícias. A ofensiva de Lula, que ocorre nos dias que antecedem o primeiro turno, coloca a trajetória política e as relações de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro no centro do confronto eleitoral entre os candidatos.






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