Nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na Organização das Nações Unidas (ONU), proferindo o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral, em Nova York. Mantendo a tradição diplomática brasileira, o chefe de Estado enfatizou a superação da subserviência global e a busca por uma nova arquitetura de governança planetária. Sua fala visou frear a escalada militarista, o uso de sanções comerciais e a erosão das instituições internacionais, conforme antecipado em entrevista à CNN.
Diante de representantes de quase 200 países, o líder brasileiro apresentou formalmente a coalizão Partners for Multilateralism (P4M). Esta iniciativa, articulada pela diplomacia do Brasil com governos como Canadá, Quênia e membros da União Europeia, busca criar uma salvaguarda institucional contra ações unilateralistas de potências globais, especialmente frente a ameaças bélicas e políticas tarifárias. Lula ressaltou que o multilateralismo tem sido a ferramenta mais eficaz para manter a harmonia mundial, criticando a tentativa de impor a “lei do mais forte” e defendendo que o comércio e a diplomacia devem ser vias de duas mãos, equilibradas e soberanas.
Críticas ao Conselho de Segurança e à inação em conflitos
Um dos pontos centrais do discurso foi a crítica à paralisia do Conselho de Segurança da ONU e ao direito de veto dos seus cinco membros permanentes. O presidente repudiou a inércia das grandes potências diante do conflito em Gaza, que vitima milhares de civis, bem como a ineficácia para conter a guerra na Europa Oriental e os confrontos no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz. Esses conflitos, segundo ele, agravam a inflação e a fome global.
Lula questionou a utilidade de um Conselho de Segurança que não consegue selar a paz, apontando o contraste entre os trilhões de dólares gastos em guerras e a falta de financiamento para o combate à fome, educação, saúde e emergência climática. Para o presidente, a reformulação da estrutura da ONU, incluindo assentos permanentes para a América Latina, África e Ásia, é essencial para evitar o esvaziamento da organização, impedindo que ela tenha o mesmo destino da Liga das Nações.
Defesa da soberania e da democracia
Em sua agenda oficial nos Estados Unidos, o presidente brasileiro estabeleceu limites claros contra interferências externas em assuntos regionais da América Latina. O discurso reforçou o princípio da autodeterminação dos povos e condenou qualquer tentativa de transformar nações vizinhas, como a Venezuela, em protetorados. Lula defendeu o voto soberano e a negociação sem bloqueios como os únicos meios legítimos de resolução de conflitos.
O presidente também levou à Assembleia Geral o compromisso da sociedade brasileira com a institucionalidade democrática. Ele salientou que o país enfrenta uma escolha determinante entre a civilização e a barbárie, contrapondo a conservação de biomas estratégicos à exploração predatória e a promoção da inclusão social às disparidades da desigualdade. A mensagem final para as delegações, o Sul Global e os trabalhadores enfatizou que a governança do século XXI exige a preservação da vida e do meio ambiente, sem submissão a pressões bélicas ou ao capital desregulamentado.






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