A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentrará seus esforços nos últimos dias antes do primeiro turno da eleição nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Esses três estados, que juntos representam aproximadamente 40% do eleitorado nacional, são considerados cruciais para a disputa. A estratégia envolve a participação de Lula em eventos, uma ampla mobilização de militantes e ações direcionadas a eleitores indecisos, bem como àqueles que já votaram no Partido dos Trabalhadores (PT) em pleitos anteriores.

A coordenação da campanha identificou um potencial de recuperação de votos, principalmente nas capitais e regiões metropolitanas desses estados, além de Bahia, Pernambuco e Ceará. A movimentação ocorre em um cenário de disputa acirrada com Flávio Bolsonaro (PL), considerado o principal adversário de Lula. O objetivo é expandir o contato direto com os eleitores e evitar uma possível migração de votos para o senador nos dias finais.

Mobilização e Atos Presenciais

Como parte da estratégia, o PT organizou a iniciativa “48 horas com Lula”, que acontecerá na sexta-feira (2) e sábado (3). A convocação é para que os militantes intensifiquem as ações nas ruas e nas redes sociais, incluindo visitas de porta em porta, conversas com eleitores, caminhadas, carreatas, distribuição de material de campanha, adesivação e “bandeiraços” em locais de grande movimento.

Paralelamente, o próprio Lula participará de atos nos estados prioritários. Na sexta-feira, ele terá um evento pela manhã na região da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, e outro à tarde na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. No sábado, o encerramento da campanha está previsto para São Paulo, com um ato nas proximidades da Avenida Paulista.

Foco em Antigos Eleitores e Grupos Específicos

A campanha petista busca reconectar-se com um contingente relevante de eleitores nas seis unidades da Federação prioritárias que já votaram no PT, mas se afastaram do partido em eleições recentes. Além disso, há um esforço para conquistar indecisos. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro recebem atenção especial devido ao seu peso no resultado nacional, enquanto Bahia, Pernambuco e Ceará são focos para intensificar a mobilização no Nordeste.

Outro objetivo é disputar os eleitores de Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), buscando evitar que uma eventual movimentação de voto útil beneficie Flávio Bolsonaro nos últimos momentos da campanha. Nesse contexto, a campanha de Lula explorará temas que visam ampliar a rejeição ao candidato do PL, especialmente entre as eleitoras. O último programa eleitoral do PT na televisão abordará o caso de Ana Clara Machado, de cinco anos, que faleceu após ser atingida por um disparo de fuzil em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021, ressaltando o fato de Flávio Bolsonaro ter atuado como advogado do policial militar envolvido. Uma frase na propaganda eleitoral do PT questiona: “Você acha que quem defende assassino de criança vai te defender?”

Entre os grupos prioritários estão mães de classe média, beneficiárias do Bolsa Família e mulheres chefes de família. Segundo levantamento Datafolha, 47% das mulheres chefes de família declaravam voto em Lula, contra 27% para Flávio Bolsonaro, e a campanha busca ampliar a participação desse público.

O eleitorado idoso, especialmente os maiores de 70 anos para quem o voto é facultativo, também é um foco estratégico. A campanha pretende estimular o comparecimento desse público às urnas, destacando a decisão do governo de considerar o voto nas eleições como prova de vida para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Acredita-se que esse grupo seja mais receptivo à candidatura presidencial. A combinação de atos de Lula nos maiores colégios eleitorais, mobilização da militância e campanhas direcionadas busca transformar o esforço em votos antes da abertura das urnas.