O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou na quinta-feira (24) uma investigação aprofundada sobre a possível participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nas revelações do caso Master. Durante um ato de campanha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Lula enfatizou que as supostas irregularidades precisam ser esclarecidas e que os envolvidos devem ser punidos conforme os crimes cometidos.

Sem mencionar nomes específicos, o presidente se referiu a episódios que emergiram no contexto do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, defendendo que as apurações alcancem todos os implicados. Lula questionou a participação em atividades ilícitas e festas, destacando a importância de investigar todos para evitar que a Suprema Corte permaneça sob suspeita. Em meados de setembro, o presidente já havia defendido a investigação de todos os ministros eventualmente envolvidos, afirmando que “não tem trégua”.

Desdobramentos e cobranças

As declarações do presidente ocorrem em meio aos avanços das investigações relacionadas ao Banco Master e Vorcaro. A Polícia Federal identificou contatos do ex-banqueiro com membros do Judiciário, o que levou o próprio STF a discutir os procedimentos para apurar condutas de seus ministros. Um dos episódios recentes envolve o ministro Kassio Nunes Marques, com mensagens que sugerem um encontro custeado pelo ex-banqueiro. Contudo, Lula não mencionou Nunes Marques nominalmente nem atribuiu crimes individualmente, focando na necessidade de investigar todos que aparecem nas revelações.

O presidente também defendeu que as relações de Vorcaro com integrantes do STF fossem examinadas em conjunto, e não apenas em casos isolados. Ele avalia que o processo do caso Master “está só começando”.

Críticas e distanciamento

Lula também direcionou críticas aos adversários da direita bolsonarista, atribuindo a eles a ascensão de Vorcaro no sistema financeiro e acusando-os de criar “um banqueiro que praticou a maior corrupção na história financeira desse País”. Vorcaro está detido no âmbito das investigações ligadas ao Banco Master e à Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras. Lula destacou que a prisão do ex-banqueiro ocorreu durante seu governo e indicou que espera novos desdobramentos.

Em outra agenda no Rio, o presidente procurou se distanciar de Vorcaro, afirmando que seu amigo é o povo, e não o dono do Banco Master. A exigência por investigações amplas surge em um momento de debate no STF sobre como lidar com as informações do caso Master, incluindo os limites das apurações quando magistrados da Corte são mencionados nos materiais da Polícia Federal.