A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) analisa a possibilidade de sua presença no último debate televisivo antes do primeiro turno das eleições. O evento está agendado para a próxima quinta-feira, 1º de outubro, na TV Globo, e deve reunir os principais candidatos à presidência.

Lula conversou sobre o tema com seus aliados nesta quinta-feira, 24 de setembro, e indicou que estaria disposto a participar. A decisão final, conforme apurado pela CNN Brasil, será tomada durante o fim de semana, após a avaliação de pesquisas internas do Partido dos Trabalhadores.

Prós e contras da participação

Dentro da campanha, o grupo que apoia a participação do presidente argumenta que o debate da Globo pode ser crucial para eleitores indecisos, especialmente mulheres nas regiões Sudeste e Nordeste. Aliados também veem no debate uma chance para Lula confrontar diretamente Flávio Bolsonaro (PL), seu principal oponente, na reta final da disputa.

Bolsonaro, por sua vez, afirmou que comparecerá ao debate caso Lula confirme sua presença. A estratégia do senador, segundo aliados, é participar de um debate no primeiro turno apenas se o petista também estiver presente.

Formato e candidatos

O formato previsto para o debate da Globo limita a participação a quatro candidatos. Se Lula e Flávio comparecerem, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) devem completar a lista de participantes. A emissora convidou Lula, Flávio, Cury e Caiado, mas pode convidar outros nomes caso haja ausências.

A composição do debate é um fator importante para as campanhas. Tanto petistas quanto bolsonaristas manifestaram resistência à presença de Renan Santos, do Missão, visto como um candidato mais crítico e incisivo contra ambos. No governo federal, a avaliação é que Cury e Caiado, apesar de críticos à gestão atual, tendem a adotar uma linha mais propositiva e menos focada em ataques diretos, um cenário considerado mais favorável para Lula em um momento de disputa acirrada.

A relevância do debate aumentou com as pesquisas eleitorais recentes, que mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio. Levantamentos indicam um empate técnico em simulações de segundo turno e uma redução da vantagem do petista no primeiro turno. Uma pesquisa Quaest publicada pela Folha de S.Paulo mostrou Lula com 37% e Flávio com 33% no primeiro turno, com empate técnico em um eventual segundo turno.

A possível ida de Lula ao debate marcaria uma mudança em relação a encontros anteriores da campanha. No primeiro debate presidencial, promovido pela Band em agosto, nem Lula nem Flávio compareceram, recebendo críticas dos demais candidatos. Com a proximidade da votação, a campanha petista pondera os riscos e benefícios de expor o presidente a um confronto direto, vendo o debate como uma oportunidade para consolidar votos, alcançar eleitores indecisos e contrastar projetos.