O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na noite desta quarta-feira (23), durante ato no Rio de Janeiro, que o Brasil pode enfrentar uma crise institucional sem precedentes caso sua base aliada não forme maioria no Senado nas eleições deste ano. A declaração foi feita no evento "Cultura com Lula", na Fundição Progresso, segundo informações do jornal Valor Econômico.

Lula defendeu a união das forças que sustentam seu governo nas disputas estaduais e argumentou que a divisão entre candidaturas aliadas pode favorecer adversários. O alerta ganhou destaque depois que parte da plateia vaiou a defesa do nome de Pedro Paulo (PSD), candidato ao Senado apoiado pela coalizão no Rio, enquanto a vereadora Monica Benício (Psol) recebeu manifestações de apoio.

Vaias e apoio a candidaturas

A tensão ocorreu quando o prefeito Eduardo Cavalieri (PSD) defendeu o voto em Pedro Paulo. Em reação, Lula reafirmou a importância de eleger candidatos alinhados ao governo e citou o risco de uma crise sem precedentes. "Não temos mais idade para brincar. O que está em jogo é muito sério. Se não fizermos maioria no Senado, a gente corre o risco desse país entrar numa crise sem precedentes", disse o presidente.

Lula também declarou que "um governador de estado não cria caso com o presidente da República, mas um senador atrapalha muito um presidente", lembrando que o mandato de senador dura oito anos. A deputada Benedita da Silva (PT), que disputa uma das vagas ao Senado, defendeu os acordos da coalizão e afirmou: "Não existe aliança com os iguais. Aliança se faz com os diferentes".

Exemplo do Rio Grande do Norte e peso estratégico

Para reforçar o argumento, Lula citou o Rio Grande do Norte, onde divergências no campo progressista, em 2022, teriam contribuído para a eleição de Rogério Marinho (PL) ao Senado. Marinho tornou-se líder da oposição na Casa e hoje coordena a campanha de Flávio Bolsonaro. A referência serviu para sustentar que decisões nas eleições estaduais podem impactar todo o mandato presidencial seguinte.

Neste ano, dois terços das cadeiras do Senado estarão em disputa, com cada estado escolhendo dois senadores. A composição da Casa é vista como estratégica porque cabe aos senadores analisar indicações para o Supremo Tribunal Federal, Banco Central e outras instituições, além de processar e julgar autoridades. Lula vem dando importância crescente às disputas pelo Senado na reta final da campanha.

O episódio no Rio expôs a tensão entre apoiar candidaturas próprias, como a de Monica Benício, e a estratégia da coalizão, que inclui partidos de centro. Ao defender publicamente os acordos, Lula sinalizou que a próxima composição do Senado será central para as condições políticas de um eventual quarto mandato.