A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou nesta terça-feira (29) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a retirada de publicações que, conforme sua equipe jurídica, descontextualizaram uma declaração do político sobre exames médicos preventivos, associando-a a conotação sexual.
Na representação enviada à Justiça Eleitoral, a campanha de Lula solicita a remoção dos conteúdos questionados e a responsabilização dos autores. De acordo com informações do SBT News, a argumentação principal é que trechos de um discurso proferido por Lula em um comício em Belém (PA) foram disseminados nas redes sociais sem o contexto original. No evento, o presidente abordava a resistência masculina em realizar exames para prevenção e detecção precoce do câncer de próstata, fazendo uma comparação com os hábitos de cuidado com a saúde feminina. “O homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta, ele não gosta de toque. Sabe, as mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena. O homem não. Ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele”, disse Lula no ato de campanha em 28 de agosto.
Distanciamento do Contexto Original
Segundo a campanha de Lula, recortes da declaração começaram a circular acompanhados de interpretações que vinculavam a menção a mulheres e meninas a conteúdo de natureza sexual. A defesa argumenta que essas publicações omitiram o contexto em que a palavra “toque” foi usada pelo presidente: uma discussão sobre exames médicos, prevenção e a relutância masculina em relação aos cuidados com a própria saúde. O caso ganhou repercussão política na reta final do primeiro turno das eleições, com adversários de Lula explorando a declaração nas redes sociais. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, utilizou a fala para produzir material eleitoral. Reportagens veiculadas nesta terça-feira indicaram que peças divulgadas por opositores associaram a declaração a abuso sexual, interpretação veementemente contestada pela campanha petista.
Crítica à Sexualização da Declaração
Maíra Recchia, advogada da equipe jurídica da campanha de Lula, afirmou que a ação no TSE visa impedir a circulação de conteúdos que, segundo a defesa, atribuem um significado distorcido às palavras do presidente. “Quando se falou de homens, o toque foi imediatamente compreendido no campo da saúde, da prevenção. Já quando a referência passou a ser as mulheres e as meninas, tentou-se deslocar com o olhar machista e deturpado a mesma palavra para o campo sexual”, disse. A advogada defende que houve um tratamento diferenciado para as duas partes da comparação: enquanto a menção aos homens foi relacionada ao exame de próstata, a referência às mulheres teria sido deslocada, por críticos do presidente, para uma interpretação de caráter sexual.
Na argumentação divulgada pela campanha, Maíra Recchia ainda destacou que a interpretação sexual atribuída ao discurso pode, em sua avaliação, reforçar tabus relacionados à saúde feminina. “Existe também um enorme perigo nessa narrativa, porque ela transforma justamente o cuidado com a saúde de meninas, adolescentes e mulheres em motivo de escândalo. Sexualizar esse debate presta um desserviço à própria sociedade, porque reforça tabus que historicamente dificultam o acesso das mulheres à informação e aos serviços de saúde”, declarou.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.