Andrés Manuel López Obrador, ex-presidente do México, criticou a política antidrogas dos Estados Unidos, defendendo a necessidade de o país vizinho enfrentar as causas sociais do consumo de entorpecentes, com foco na desintegração familiar. Sua avaliação foi apresentada em um vídeo divulgado na noite de quarta-feira (30) na rede social X, onde também anunciou a intenção de escrever um livro com propostas para os Estados Unidos.

No vídeo, que promove seu livro “Pueblo”, sobre a história política mexicana, López Obrador questionou a prioridade dada pelos EUA ao poder econômico e militar. Ele associou esse caminho ao que chamou de “declínio” do país e à busca incessante por riqueza material, argumentando que o combate às drogas requer mais do que apenas medidas repressivas. “O declínio nos Estados Unidos se deve a isso, ao fato de terem ido atrás de bens materiais e se tornado uma potência econômica e militar; mas, sabe de uma coisa? Eles têm muitos problemas, como a desintegração da família, e é por isso que existe uma pandemia de uso de drogas”, afirmou.

Críticas à abordagem norte-americana

López Obrador criticou a recusa dos governantes norte-americanos em abordar as causas do problema, afirmando que políticas de “tolerância zero” são insuficientes. Ele exemplificou que a erradicação de uma substância como o fentanil não resolveria a questão, pois outras substâncias surgiriam, um padrão já observado historicamente. “Eles acham que vão resolver tudo com uma abordagem de ‘tolerância zero’. Mesmo que o fentanil fosse erradicado, isso não resolveria o problema, porque eles criariam outras substâncias, como já aconteceu”, declarou o ex-chefe de Estado.

Ele também acusou o governo dos Estados Unidos de ignorar as famílias, associando o consumo de drogas ao distanciamento dos filhos do ambiente familiar na adolescência. Para López Obrador, “aí reside o problema, o epicentro da crise, na desintegração da família, no fato de os filhos saírem de casa ainda adolescentes”. Ele contrastou essa situação com a realidade mexicana, onde a família mantém um papel central na sociedade.

As críticas de López Obrador se estenderam ao individualismo e às prioridades de gastos dos EUA. O ex-presidente argumentou que a sociedade norte-americana passou “do individualismo ao egoísmo” e que as pessoas deixam de receber cuidados porque “tudo é guerra”. Ele mencionou que metade do orçamento do país seria destinada à indústria bélica, uma proporção não detalhada na reportagem original.

Proposta de cooperação e livro futuro

Apesar das críticas, López Obrador defendeu a cooperação entre os dois países. Ele anunciou que seu próximo livro será dedicado a propostas para os Estados Unidos, sublinhando que os problemas do país vizinho afetam também o México. “Isso tem que mudar. Vou escrever um livro. O próximo será fazer uma proposta a eles, porque somos vizinhos, somos amigos. Além disso, se eles se derem mal, nós também nos daremos mal. Já existem 40 milhões de mexicanos vivendo nos Estados Unidos. E nós podemos ajudar”, disse.

Ao abordar a experiência mexicana, López Obrador afirmou que o país também enfrentava um processo de declínio antes de sua presidência, iniciada em 2018. “Nós revertemos a situação e alcançamos uma transformação”, disse ele, referindo-se às mudanças implementadas em seu governo. A presidente Claudia Sheinbaum, que assumiu o cargo em 2024, dá continuidade a esse projeto, segundo informações da Prensa Latina.