O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que sejam realizadas buscas em aeronaves conectadas aos empresários Daniel Vorcaro e ao advogado Willer Tomaz. O objetivo da solicitação é investigar voos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O parlamentar argumenta que tal medida é crucial para assegurar a preservação de documentos e dados que possam esclarecer a forma como os jatos foram empregados. O pedido de busca abrange diários de bordo, listas de passageiros, registros de voos e informações recentes dos sistemas embarcados das aeronaves. Além disso, Lindbergh Farias solicitou a apreensão e indisponibilidade dos aviões, bem como consultas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), à Polícia Federal e a órgãos aeroportuários. A efetivação dessas requisições depende de uma decisão judicial do STF.
Detalhes dos voos e envolvidos
Um dos aviões mencionados no pedido é um Legacy 650, utilizado por Flávio Bolsonaro, sua esposa Fernanda e as duas filhas do casal em uma viagem da Flórida para Brasília em janeiro. O advogado Willer Tomaz, amigo do senador, também estava a bordo. Meses depois, a mesma aeronave foi usada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa. Tomaz afirmou ter custeado integralmente o voo de janeiro, com Flávio e sua família viajando gratuitamente como convidados.
Registros examinados em apuração jornalística indicaram uma reserva anterior no mesmo avião envolvendo o senador e seus familiares. A aeronave era operada pela Prime You, empresa que tinha Vorcaro entre seus sócios na época da viagem, e Tomaz também era um dos cotistas do avião. Flávio Bolsonaro declarou que sua informação era de que o jato pertencia ao advogado, e em uma publicação posterior, ironizou: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”.
Justificativa do pedido e investigações
Na petição apresentada, Lindbergh Farias defende que bens e serviços associados a Tomaz, bem como registros de viagens e movimentações financeiras, devem ser investigados em conjunto. O deputado utilizou a expressão “hub financeiro” para caracterizar a estrutura que, segundo sua argumentação, poderia ter atendido parlamentares. Essa alegação, no entanto, ainda precisa ser apurada e não configura uma conclusão judicial.
Willer Tomaz é alvo de investigação em um caso relacionado ao INSS. Em manifestação sobre outra petição de Lindbergh, a defesa de Tomaz negou qualquer relação comercial ou financeira entre ele e Flávio Bolsonaro, ressaltando que ambos são amigos. A petição anterior também solicitava a obtenção de planos de voo e listas de passageiros para identificar quem custeou o uso de jatos pelo senador.






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