247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou nesta segunda-feira (21) que a campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) faz um impulsionamento ilegal de conteúdo nas redes sociais. Conforme petição apresentada pela campanha do presidente Lula (PT) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em dez dias foram identificadas no Instagram 1.826 publicações em formato de “collabs” (feitas em parceria), alta de 271% em comparação com o mesmo período anterior ao citado no documento.

Em post na rede social X, o parlamentar do PT sinalizou que existe a hipótese de o Judiciário brasileiro determinar a cassação do PL, partido da extrema direita.

“Denúncia grave de interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro. Eles estão impulsionando conteúdos para ajudar Flávio Bolsonaro. O PL pode ser cassado”, disparou o parlamentar do Partido dos Trabalhadores na rede social X.

O termo “collabs” é usado quando dois ou mais perfis fazem uma parceria e compartilham as mesmas postagens. Com essa parceria, a ideia é aumentar o alcance da publicação. “Extrema-direita e gente do mercado financeiro norte-americanos estão fazendo impulsionamentos para favorecer a campanha do Flávio Bolsonaro”, acrescentou Lindbergh.

Conforme o deputado, a ação da extrema direita estadunidense em parceria com o bolsonarismo “configura financiamento estrangeiro para a campanha do Flávio Bolsonaro”. O parlamentar acrescentou que o artigo 17 da Constituição, inciso 2, proíbe doação estrangeira no processo eleitoral brasileiro.

De acordo com informações publicadas pelo jornal Valor Econômico, parte das páginas nas redes sociais usa links para venda de produtos ligados a bolsonaristas. Essa estratégia digital pode representar abuso de poder econômico e dos meios de comunicação, denunciou a campanha de Lula.

Um dos casos é o de um boné com o número 22, apontou a reportagem. Conforme o documento, 12 perfis com mais de 10 milhões de seguidores somados direcionam o público à mesma loja na Shopee com um produto.

O deputado Lindbergh defendeu a soberania brasileira. “Nós não vamos aceitar essa interferência dessa ala da extrema-direita radical trumpista no processo eleitoral brasileiro. O Brasil é dos brasileiros.”

Contexto global

As articulações da família Bolsonaro com o governo dos EUA ocorre em um contexto mais amplo agressões contra o Brasil. Em 2026, o governo Trump aplicou duas sobretaxas, de 25% e 12,5%. A escalada comercial ocorreu em meio às tensões envolvendo a condenação de Jair Bolsonaro (PL).

A gestão trumpista também classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A guerra comercial e a classificação das facções brasileiras têm como objetivo estimular sanções contra o Brasil no cenário internacional.

A aproximação do Brasil com China, BRICS e Sul Global, polos de resistência à hegemonia dos EUA na economia internacional, também esteve associada ao agravamento das relações entre os dois países.

As medidas contra o Brasil foram relacionadas às articulações da extrema direita bolsonarista nos EUA. Flávio Bolsonaro esteve no país de Trump em diferentes ocasiões neste ano. Seu irmão, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), vive em território norte-americano e atua em favor da adoção de sanções contra o Brasil.

Intenções de voto

A pesquisa Quaest, que teve seus números divulgados nesta segunda-feira, mostrou o presidente Lula na liderança quando os eleitores são questionados sobre a disputa de primeiro turno.

As estatísticas apontaram, também, que o petista assegurou vantagem sobre todos os adversários nas simulações de segundo turno.