Ibaneis Rocha (MDB) é o ex-governador do Distrito Federal. Ele renunciou ao cargo de governador no dia 28 de março de 2026, a fim de concorrer a uma vaga ao Senado. Seu desejo não pôde ser realizado por ter se metido em um monte de confusões políticas e financeiras, o que lhe causou o imediato afastamento da política, bem como ficou impossibilitado moralmente de se candidatar ao cargo de senador.

Apesar de ser acusado e denunciado por ter supostamente cometido ações, atos ilegais e irregulares, ele continua a surfar nas ondas da impunidade, depois de protagonizar episódios lamentáveis à frente do Governo do Distrito Federal (GDF), a exemplo das severas crises na Saúde e na Educação, além de acusações e denúncias graves quanto à sua participação nos eventos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Ibaneis ficou de fora das punições do STF, que considerou não haver participação direta do mandatário no movimento golpista de direita. Porém, o ex-governador sempre demonstrou seu alinhamento político com o bolsonarismo, assim como evidenciou sua omissão diante dos cinco coronéis da PMDF, que burlaram a segurança e se tornaram cúmplices ativos das hostes bolsonaristas, de forma que elas colocassem em prática um golpe de Estado contra um presidente recém-eleito.

Uma sublevação que destruiu violentamente os palácios da República, na Praça dos Três Poderes, que teve a intenção de impedir o presidente Lula de assumir a Presidência da República, mesmo tendo tomado posse sete dias antes da intentona fascista. Por sua vez, e no frigir dos ovos, os cinco coronéis da PMDF foram severamente punidos com 16 anos de cadeia e foram expulsos da corporação para o bem do serviço público, uma lição dura e necessária àqueles que porventura ousem se aventurar contra a Constituição, a democracia e o Estado Democrático de Direito.

Entretanto, Ibaneis Rocha não foi apenas um governador omisso, que se “deixou enganar” por informes e relatórios mentirosos e traiçoeiros elaborados desonrosamente pela cúpula da Polícia Militar. Um escândalo sem medidas de autoria de coronéis que resolveram incorrer em crimes graves contra a ordem democrática e as instituições republicanas. Ibaneis foi negligente e corresponsável pela tentativa de golpe, mas mesmo assim ele saiu incólume de responder por tão graves crimes.

Vale lembrar ainda que Ibaneis era o governador que nomeou o secretário de Segurança, Anderson Torres, delegado da Polícia Federal, que foi ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e com participação efetiva na construção de um golpe de Estado, conforme investigações da PF e denúncias da PGR. Vou mais além: Ibaneis se recusou a ouvir os conselhos de Flávio Dino, sucessor no Ministério da Justiça de Anderson Torres, como também fez ouvidos moucos para o ministro do STF, Gilmar Mendes, além de se recusar a ouvir as lideranças do PT no Distrito Federal, como o deputado distrital Chico Vigilante. Todos os três afirmaram que era perigoso nomear Anderson Torres secretário de Segurança Pública. Ibaneis pagou para ver, e viu.

De acordo com declarações da então governadora interina Celina Leão, Ibaneis foi advertido inúmeras vezes por diversas autoridades sobre os riscos políticos a que poderia ficar submetido, além de ser extremamente imprudente e inconsequente quando ignorou as já comprovadas ações de Anderson Torres como ministro da Justiça de intenções francamente golpistas, sendo que ele foi um dos principais agentes públicos do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, no que diz respeito a dar um golpe de Estado no Brasil.

O delegado da PF e secretário de Segurança do DF, Anderson Torres, fugiu para os Estados Unidos e ignorou uma crise retumbante que terminou com a deplorável depredação dos palácios republicanos, símbolos máximos da soberania do Brasil. O policial Torres desonrou a PF, foi demitido para o bem do serviço público, além de ser condenado a 24 anos de cadeia pelo STF.

Porém, de forma bizarra, Ibaneis Rocha foi afastado por apenas 66 dias da governadoria e retornou ao poder, livrou-se de ser denunciado e preso, o que é um fato surreal em um País que ainda tem enorme dificuldade para punir autoridades e empresários que incorrem em crimes, ainda mais se eles forem, e são, do espectro da direita política, a incluir neste balaio a imprensa de negócios privados, que até hoje blinda Ibaneis Rocha e atualmente apoia, vexaminosamente, o candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro.

Para impor um modelo neoliberal na economia, a imprensa de mercado vende sua alma ao diabo, contanto que não seja eleito um presidente trabalhista ou de esquerda. Os donos da imprensa de mercado, como os irmãos Marinho e congêneres, querem um Estado para servir a poucos, de preferência à burguesia escravagista e dona secular da casa grande. Que esta funesta realidade fique clara, transparente e compreensível. Essa gente quer um Brasil para poucos e que funcione como um clube privê para atender os interesses dos bilionários associados aos estrangeiros.

Por sua vez, a questão do ex-governador do DF não cabe apenas neste quadro lúgubre que explicita o golpismo “disfarçado” de Ibaneis Rocha, um homem bilionário e ex-presidente da OAB — seccional Distrito Federal. O político não se faz de rogado quando se trata de megaescândalos, quando transformou um importante banco público como o BRB em trampolim para os interesses do ex-banqueiro e agora presidiário Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.

Trata-se do “banco para chamar de seu”, no que é referente ao acesso dos políticos da direita brasileira, em especial o PL de Flávio, Eduardo e Jair Bolsonaro, além de MDB, União Brasil e PP. O banco em que os políticos de direita deitaram e rolaram como cães a agradar o patrão bilionário e generoso com o dinheiro dos aposentados do INSS e dos impostos do povo brasiliense, que sustentam a existência do Banco de Brasília (BRB). É “o banco pra chamar de seu”, em uma analogia à canção “Mesmo que seja eu”, do saudoso Erasmo Carlos.

A realidade é que Ibaneis Rocha (MDB) teve inúmeras conversas e trocou várias mensagens com Vorcaro do Master. Essas relações aconteceram entre os anos de 2024 e 2025, de acordo com a Polícia Federal e notícias na imprensa comercial e privada, que blinda descaradamente Ibaneis Rocha em uma dedicação canina. Segundo reportagens do “Fatos Online”, Ibaneis encaminhou ao banqueiro cópias de uma decisão liminar favorável ao negócio e a publicação oficial da lei que autorizava a compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB).

Ibaneis se dedicou, de corpo e alma, para que o negócio prejudicial ao povo brasiliense fosse concretizado, sendo que a comprovação de seus atos e ações deriva de convites para encontros, registros de chamadas telefônicas, além do compartilhamento de documentos oficiais e judiciais de interesse do Daniel Vorcaro. Lastimável o comportamento antirrepublicano de Ibaneis Rocha, um político que exprime, ipsis litteris, o quanto é corrupta e perversa a burguesia brasileira, bem como totalmente dissociada da realidade e dos interesses deste País.

As investigações contra o ex-governador envolvem suspeitas de corrupção, fraudes e irregularidades financeiras. Existem também questionamentos no âmbito do MPDF e da Justiça, com apoio da PF e da Polícia Civil, casos escabrosos concernentes a investigações eleitorais, de saúde e de gestão pública.

Ibaneis e Celina Leão, a atual governadora e agora candidata à reeleição no DF, formaram uma dupla do barulho e precisam ser investigados em várias frentes, não somente a se resumir ao Banco Master/BRB, porque inúmeros segmentos e setores do DF tiveram uma experiência dantesca, de maneira que a sociedade brasiliense se tornou vítima recorrente de omissão e crimes arbitrários e variados contra seus legítimos interesses. Ibaneis Rocha está solto e seus maus atos são escárnios ao Brasil. É isso aí.