O vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União Brasil) foi preso em flagrante nesta terça-feira (22) pela Polícia Federal, após agentes encontrarem dois fuzis e uma submetralhadora em um imóvel na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. A ação ocorreu durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, que investiga a posse de armas de fogo de uso restrito. O parlamentar, que também é coronel da reserva da Polícia Militar, foi levado com o armamento para a Superintendência Regional da PF no Rio.

A PF informou que cumpriu três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências aconteceram na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e na Câmara Municipal do Rio. Segundo a corporação, as três armas estavam em situação incompatível com a legislação, o que motivou o auto de prisão em flagrante. Canella não tinha mandado de prisão preventiva, mas foi detido durante as buscas após a localização dos equipamentos.

Investigação e perícia

A Polícia Federal afirma que a nova etapa integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela corporação para enfrentar organizações criminosas com atuação no estado do Rio de Janeiro. O trabalho é vinculado às diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635. Após a apreensão, os investigadores encaminharam os dois fuzis e a submetralhadora para procedimentos policiais e periciais, que deverão examinar a situação documental das armas e as circunstâncias em que o vereador as mantinha.

A defesa de Jorge Canella contesta a avaliação da PF e sustenta que o parlamentar possuía documentação para o armamento. O advogado Gabriel Miranda afirmou que todas as armas eram de propriedade do vereador e estavam legalizadas, com certificados válidos. Segundo ele, o único questionamento era a divergência de endereço de registro, decorrente de uma mudança recente de residência da família. A defesa reforçou que Canella sempre pautou sua atuação na corporação de forma proba e ilibada e confia na Justiça para esclarecer os fatos.

Relação com caso anterior

A sétima fase da Operação Unha e Carne ocorre depois da sexta etapa, realizada em julho, que prendeu Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, com um fuzil calibre 5,56 em um veículo. Jorge e Márcio não têm parentesco, apesar do sobrenome e da relação política. Naquele episódio, a investigação apurava suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio, com movimentação superior a R$ 7,6 bilhões em seis anos, segundo relatório do Coaf.

Márcio Canella ficou preso por alguns dias e foi solto após o STF conceder liberdade provisória com medidas cautelares. Em 24 de julho, o ministro Alexandre de Moraes revogou as restrições, após a defesa apresentar documentos que comprovavam a regularidade das armas naquele caso. As demais linhas de investigação continuaram separadamente, e a sétima fase agora se concentra nas armas encontradas com Jorge Canella. A Polícia Militar também informou que analisará o episódio sob o aspecto disciplinar.