O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguéi Lavrov, subiu ao púlpito da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, para acusar os Estados Unidos de desrespeitar o direito internacional. No sábado (26), Lavrov exigiu a libertação do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram detidos pelos EUA em janeiro. Segundo o chanceler russo, a operação representou uma afronta às normas internacionais e às imunidades de chefes de Estado.
Lavrov classificou a ação americana como uma violação das leis internacionais, incluindo as morais, por ter invadido a Venezuela para capturar Maduro e Flores, submetendo-os a uma detenção extrajudicial em solo americano. O ministro russo defendeu que a posição de Maduro como chefe de Estado deveria protegê-lo de tal ação, conforme prescrito pelo direito internacional.
Reivindicação russa e contexto do caso
O chanceler concluiu sua intervenção com uma reivindicação direta a Washington, insistindo na pronta libertação do líder venezuelano e de sua esposa, e pedindo que tais excessos não se repitam. Essa postura russa reitera a posição do governo desde janeiro, quando o Ministério das Relações Exteriores da Rússia já havia solicitado publicamente a libertação do casal e defendido o diálogo para resolver as divergências entre EUA e Venezuela.
A captura de Maduro e Flores pelas forças dos Estados Unidos ocorreu em Caracas, em 3 de janeiro, e eles foram levados para Nova York. Dois dias depois, o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação, indicando que os princípios da Carta das Nações Unidas sobre soberania e integridade territorial não foram respeitados. O incidente gerou divisão no Conselho de Segurança, com alguns países condenando a ação e outros defendendo a postura americana.
Os Estados Unidos apresentaram a operação como uma iniciativa para levar Maduro à Justiça, não o reconhecendo como presidente legítimo da Venezuela e argumentando que ele não possuía imunidade de chefe de Estado. A defesa, por outro lado, sustenta que Maduro detinha a chefia do Estado venezuelano no momento da captura e, portanto, estaria protegido contra processos criminais em tribunais estrangeiros.
Maduro e Flores se declararam inocentes das acusações federais americanas, que incluem crimes relacionados ao tráfico de drogas e participação em uma conspiração para enviar cocaína aos Estados Unidos. A questão da imunidade avançou em setembro, com os advogados pedindo o arquivamento das acusações. O juiz Alvin Hellerstein agendou para 17 de novembro a apresentação de argumentos orais sobre esses pedidos, e o julgamento, caso prossiga, está marcado para 1º de junho de 2027.
Em Caracas, a captura resultou em uma mudança política, com Delcy Rodríguez assumindo interinamente a Presidência. Em discurso na Assembleia Geral, ela mencionou um processo de transição política na Venezuela e prometeu eleições, mas sem anunciar uma data específica.






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