O líder da oposição em Israel, Yair Lapid, acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de gerar pânico entre a população ao alertar sobre a possibilidade de ataques contra o país antes das eleições gerais de outubro. Após uma reunião de segurança com Netanyahu na terça-feira (29), Lapid afirmou que não havia motivo para alarmar os cidadãos e defendeu que o pleito ocorra conforme o previsto.
A reação de Lapid ocorreu depois que o primeiro-ministro divulgou um vídeo gravado em uma base militar, diante de um caça, no qual expressou que havia “indícios de que, antes das eleições, nossos inimigos tentarão nos atacar”. Netanyahu, no entanto, não identificou os possíveis agressores nem apresentou publicamente detalhes que sustentassem o alerta. Lapid solicitou um encontro para esclarecimentos e, após a reunião, publicou uma mensagem assegurando que “não há motivo para pânico na população” e rejeitando qualquer tentativa de comprometer a votação, marcada para 27 de outubro.
Críticas ao uso político e às ameaças
Lapid também criticou Netanyahu por usar instalações das Forças Armadas como “cenários para vídeos de campanha eleitoral”. O líder da oposição relacionou o alerta atual com avisos que, segundo ele, o governo ignorou antes dos ataques de 2023. “Netanyahu ignorou todos os avisos antes de 7 de outubro e agora, 28 dias antes da eleição, está de repente ocupado em espalhar o medo”, declarou Lapid.
Ele afirmou que manteria o sigilo das informações recebidas na reunião, mas cobrou responsabilidade na forma como as ameaças são tratadas publicamente. Netanyahu, por sua vez, disse em outra publicação na terça-feira que havia alertado Lapid sobre possíveis ataques “em várias frentes antes das eleições” e que realiza encontros periódicos para compartilhar informações de segurança.
Cenário político e eleições de 2024
O embate entre Lapid e Netanyahu ocorre em meio a uma campanha eleitoral crucial, que pode definir a permanência do primeiro-ministro no poder. De acordo com pesquisas, nenhuma força política tem um caminho claro para formar o próximo governo. Uma média de levantamentos indica que o partido Yashar, do ex-chefe militar Gadi Eisenkot, estaria dois pontos percentuais à frente do Likud, legenda de Netanyahu.
As pesquisas preveem 64 cadeiras para os partidos da oposição no Knesset, o Parlamento israelense, que possui 120 assentos, o que representaria uma vantagem de 15 lugares sobre as legendas que apoiam Netanyahu. Contudo, essa projeção não garante a formação de uma coalizão oposicionista. Lapid, Eisenkot e outros líderes da oposição anunciaram um acordo para coordenar esforços eleitorais, mobilizar suas bases e buscar apoio em diferentes setores para conquistar a maioria parlamentar.
Os ataques de 2023 continuam sendo um tema central na campanha, alimentando críticas dos adversários de Netanyahu. O primeiro-ministro nega ter recebido alertas sobre um possível ataque do Hamas antes de 7 de outubro daquele ano. A guerra em Gaza, que se seguiu aos ataques de 2023, e os conflitos com o Líbano e o Irã mantêm a segurança e a condução das operações militares como temas-chave da disputa eleitoral.






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