247 – A Justiça Federal concedeu ao Discord prazo de 10 dias úteis para apresentar uma nova proposta de medidas de segurança ao governo brasileiro. A determinação foi anunciada após audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira (2), na 14ª Vara Federal Cível do Distrito Federal.
A audiência ocorreu no âmbito de uma ação movida pela Advocacia-Geral da União (AGU) contra a plataforma. O governo busca obrigar o Discord a adotar mecanismos considerados mais eficazes para proteger crianças, adolescentes e mulheres contra riscos e crimes no ambiente digital.
De acordo com a decisão, a proposta da empresa deverá atender aos critérios legais de proteção digital apresentados pela União. O documento será analisado em um prazo total de 30 dias úteis, na tentativa de se chegar a uma composição entre as partes.
As discussões contarão com a participação da AGU, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal. Também estiveram presentes na audiência representantes da Secretaria de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A decisão também determinou que a Secretaria da Justiça Federal comunique o conteúdo da deliberação ao juízo da 30ª Vara Cível de Belo Horizonte, onde tramita outro processo relacionado ao caso.
Governo aponta falhas na segurança
Segundo o governo federal, a ação foi apresentada após negociações com o Discord para aprimorar os mecanismos de proteção não resultarem em medidas consideradas suficientes para eliminar os riscos identificados.
A União sustenta que a plataforma apresenta falhas nos sistemas de verificação de idade e de proteção dos usuários. A preocupação aumentou após a morte de uma adolescente de 13 anos, em julho, que teria sido incentivada ao suicídio durante uma transmissão realizada no Discord.
O caso é investigado pela Polícia Civil. A maior parte dos suspeitos apontados como responsáveis por incentivar a adolescente seria menor de idade.
Ação cobra indenização de R$ 500 milhões
Além da implementação das medidas de segurança, a ação civil pública pede a condenação do Discord ao pagamento de R$ 500 milhões por danos morais. A AGU também solicita que a plataforma seja obrigada a cumprir as exigências previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente Digital.
Após a repercussão do caso, a ANPD suspendeu as transmissões ao vivo no Discord no Brasil. A empresa deverá apresentar a nova proposta dentro do prazo definido pela Justiça, enquanto o processo segue em tramitação.
Até o momento, não há acordo definitivo entre o governo e a plataforma, nem decisão final sobre os pedidos apresentados na ação.






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