O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações em Brasília, defendeu em seu livro “A Bomba: A verdade pode ser explosiva”, de 2001, a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Além disso, o religioso colocou em xeque a legalidade do feriado nacional de 12 de outubro, data dedicada à santa, e instou cristãos e parlamentares a agirem para alterar o reconhecimento.
A posição de Carvalho foi divulgada neste domingo (27) pela coluna de Matheus Leitão, do Metrópoles. A igreja liderada por Carvalho é frequentada por Flávio Bolsonaro, que, juntamente com sua esposa Fernanda Bolsonaro, foi batizado na Comunidade das Nações em 2024.
Argumentos e Mobilização
No capítulo intitulado “A Rainha dos Céus no Brasil”, o bispo argumenta que o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira nacional é incompatível com o princípio de separação entre Igreja e Estado. Ele considera a lei que estabelece a homenagem ilegal e defende que Jesus Cristo seja o único reconhecido como Senhor do Brasil. Essa interpretação é pessoal do pastor e não se trata de uma decisão judicial de inconstitucionalidade.
Carvalho conclama os cristãos a se manifestarem contra o que ele descreve como a institucionalização de uma forma de adoração pagã. Ele também solicita que deputados e senadores atuem para que o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país seja revogado.
Relação com a família Bolsonaro e Posicionamento de Flávio
A publicação do livro e a retomada do tema ganham relevância no contexto da campanha presidencial de 2026, devido à ligação de Carvalho com Flávio Bolsonaro. Apesar do vínculo, não há como atribuir ao político as posições defendidas pelo bispo há mais de duas décadas. Flávio e Fernanda Bolsonaro foram batizados na Comunidade das Nações em 2024 e o político mantém pública sua ligação com a igreja. Em 7 de dezembro de 2025, após anunciar sua pré-candidatura à Presidência, Flávio escolheu a Comunidade das Nações para sua primeira aparição pública.
A relação de Carvalho com a família Bolsonaro se estende a outros episódios, como em novembro de 2025, quando Flávio presenteou seu pai, Jair Bolsonaro, com um exemplar de “Metanoia: A chave está em sua mente”, escrito pelo bispo. Em janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro também levou a Jair outra obra de Carvalho, “A jornada de meninos a homens”. No entanto, essa proximidade não comprova que Flávio tenha aderido a todas as posições religiosas e políticas do bispo.
Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A declaração veio após publicações nas redes sociais atribuírem a ele um plano para promover tal mudança caso fosse eleito presidente. Apesar disso, em um vídeo de agosto de 2026, Flávio afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo, uma declaração que se alinha a outra formulação na obra do bispo, mas não mencionou Nossa Senhora Aparecida nem propôs a retirada de seu reconhecimento. Durante a controvérsia, a campanha de Flávio promoveu uma transmissão com representantes de diversas religiões, incluindo um pai de santo do candomblé.
Nossa Senhora Aparecida é legalmente reconhecida como padroeira do Brasil pela Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, que também institui o 12 de outubro como feriado nacional. Essa é a legislação que Carvalho contesta em seu livro, argumentando que ela conflita com a separação entre Estado e religião e defendendo sua alteração por meio da atuação parlamentar.






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