O Irã anunciou que não alterará suas condições para a reabertura do Estreito de Ormuz, apesar da rejeição pública do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à proposta iraniana. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que o país não desistirá do plano, que prevê a retomada do fluxo normal de navios em uma semana, caso as exigências apresentadas a Washington sejam atendidas.

Trump havia rejeitado a proposta no sábado (26), manifestando o desejo de um acordo, mas classificando os termos iranianos como “inaceitáveis”. Contudo, Araghchi indicou que o Irã aguardava uma resposta oficial, a ser transmitida pelos mediadores, conforme relatado pela Reuters.

Detalhes da proposta e impasses

O roteiro iraniano, apresentado durante a Assembleia Geral da ONU e entregue aos Estados Unidos via Catar, vincula a reabertura de Ormuz a várias condições. Entre elas, estão o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos, a suspensão das restrições à venda de petróleo do país e a liberação de recursos financeiros congelados. Teerã também exige o fim das hostilidades na região, incluindo os conflitos no Líbano.

Araghchi esclareceu que o prazo de sete dias começaria a ser contado a partir da aceitação do plano por Washington. Há um ponto de discórdia quanto aos próximos passos: o governo iraniano admite a discussão de um acordo mais abrangente, mas um alto funcionário de Teerã informou à Reuters que o país não fará concessões sobre o enriquecimento de urânio nem enviará seu estoque de urânio altamente enriquecido para o exterior, mesmo que a proposta de paz seja aceita. O programa nuclear iraniano é uma das principais preocupações americanas nas negociações.

Desconfiança e diplomacia indireta

A desconfiança mútua é evidente. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, expressou não confiar mais nas negociações com Washington, embora tenha mantido aberta a possibilidade de uma solução diplomática em seu discurso na ONU. As conversas entre os dois países ocorreram majoritariamente por canais indiretos durante a semana da Assembleia Geral.

A disputa sobre o Estreito de Ormuz tem um impacto significativo no transporte global de energia, sendo uma de suas rotas mais cruciais. O tráfego na região diminuiu drasticamente desde o início do conflito em fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e ameaças iranianas a embarcações. A recusa americana ao plano de sete dias deixa indefinida a data para a normalização da navegação regular.

.