O governo do Irã reafirmou no domingo (27) que somente a diplomacia pode solucionar o conflito com os Estados Unidos e Israel. A declaração ocorreu após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar a rejeição de uma proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz e interromper os combates na região, conforme noticiado pela agência Reuters.

Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou em suas redes sociais que as condições do país são claras e que qualquer movimento para reabrir o Estreito de Ormuz está atrelado ao cumprimento dessas exigências. Ele enfatizou que “apenas uma solução negociada pode nos tirar desse impasse”. A proposta de paz de Teerã foi apresentada na semana anterior, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e foi transmitida às autoridades dos EUA por mediadores do Catar.

Detalhes da Proposta e Reação dos EUA

O plano iraniano previa um prazo de sete dias para a reabertura do estreito e uma pausa nos confrontos regionais. Segundo Araqchi, a aprovação inicial permitiria o início de conversas mais abrangentes entre as partes envolvidas. O chanceler afirmou a jornalistas na ONU que, se houvesse seriedade do lado americano para um acordo, “tudo está preparado agora”, com uma pauta posterior que incluiria “assuntos mutuamente acordados”.

Contudo, no sábado (26), Trump informou à imprensa que recusou o plano, alegando que a busca iraniana por um acordo sobre a rota marítima é impulsionada pelo desespero financeiro. Ele declarou que os iranianos “querem fazer um acordo para abrir o Estreito de Ormuz imediatamente porque estão perdendo muito feio”. Apesar da posição pública de Trump, a diplomacia iraniana indicou que a negativa não foi formalmente comunicada pelos canais de mediação, e o país aguardava as posições definitivas para tomar uma decisão.

Contexto do Bloqueio e Perspectivas Futuras

Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico contra o Irã, com o objetivo de pressionar Teerã a cessar ataques a embarcações no Estreito de Ormuz. Esses incidentes reduziram significativamente o tráfego comercial na área. O jornal The Wall Street Journal revelou que Trump rejeitou a proposta por ceticismo quanto ao cumprimento das exigências por parte do Irã, e autoridades americanas citadas pelo periódico indicaram que o presidente considera a possibilidade de uma nova campanha de bombardeios após as eleições parlamentares de novembro nos EUA.

Em contraste, outros representantes do governo americano divergiram do tom do presidente, descrevendo as conversas indiretas como “positivas e construtivas”. O comandante-em-chefe do Exército do Irã, Amir Hatami, alertou para uma fase crítica do conflito, afirmando que Teerã não aceitará ser impedido de comercializar enquanto forças estrangeiras usufruem das rotas marítimas estratégicas. O impasse no Estreito de Ormuz, que já dura sete meses, afeta o fluxo global de petróleo e tem levado o Irã a dialogar com a Arábia Saudita sobre a segurança no canal. O programa nuclear iraniano, incluindo a continuidade do enriquecimento de urânio, permanece um ponto sensível, com o Irã rejeitando qualquer flexibilidade sobre seus direitos nesse quesito.