O Irã está no aguardo de uma posição oficial dos Estados Unidos sobre sua proposta de reabrir o Estreito de Ormuz e cessar as hostilidades no Oriente Médio. O plano iraniano foi apresentado durante a Assembleia Geral da ONU e prevê a implementação das medidas em um prazo de sete dias após a aceitação. Mediadores do Catar transmitiram a iniciativa a Washington.

Rejeição informal e condições iranianas

Informações divulgadas pela Reuters, citando o Wall Street Journal, indicam que o presidente americano, Donald Trump, teria rejeitado a oferta em conversas privadas, expressando dúvidas sobre a aceitação de suas exigências pelo Irã. Anteriormente, um oficial dos EUA descreveu os contatos indiretos como “positivos e construtivos”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que a aceitação do plano iniciaria a contagem do prazo para a reabertura da rota marítima e o fim dos combates. Ele ressaltou que, caso os EUA estejam comprometidos com um acordo, “tudo já está preparado” para negociar outros temas. O plano iraniano inclui a interrupção dos confrontos em todas as frentes, inclusive no Líbano. Em contrapartida, Teerã exige que os EUA encerrem o bloqueio de seus portos, liberem fundos iranianos congelados e suspendam as sanções sobre o petróleo do país.

Impasse nuclear e contexto do conflito

Um dos principais entraves para um acordo mais amplo é o programa nuclear iraniano. Trump declara que não permitirá que o Irã desenvolva armas nucleares. Contudo, um oficial iraniano de alto escalão informou à Reuters que o país não abrirá mão do enriquecimento de urânio nem enviará seu estoque de urânio altamente enriquecido para o exterior, mesmo que Washington concorde com o plano de paz. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assegurou que seu governo está aberto a discutir o programa nuclear, mas não aceitará “intimidação ou coerção”, reiterando que o Irã não busca a guerra, mas se defenderá. Ele também mencionou que o país já havia concordado em não desenvolver armas nucleares.

O conflito teve início em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e Israel contra o Irã, resultando em milhares de mortes, impacto na economia iraniana e restrição do tráfego no Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o transporte global de petróleo. A violência se alastrou, com os houthis no Iêmen intensificando ataques contra alvos sauditas. A coalizão liderada pela Arábia Saudita interceptou mísseis e drones. Em meio à escalada, Araqchi apresentou ao chanceler saudita um entendimento sobre rotas de navegação seguras no Estreito de Ormuz entre Irã e Omã. A situação humanitária no Iêmen se agrava, com aumento da desnutrição infantil.