Neste sábado (26), as Forças Armadas do Irã emitiram um alerta indicando que centros de operações e interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio seriam alvos em caso de novos ataques de Washington ao país. A advertência surge em um contexto de tensão crescente, no qual Teerã também comunicou a realocação de parte de suas capacidades militares estratégicas para instalações subterrâneas.

As informações foram divulgadas pela Al Jazeera, com base em relatórios das agências iranianas Mehr e Tasnim. Segundo a Mehr, militares iranianos afirmaram que as posições americanas na região seriam atingidas caso os EUA cometessem um “erro” contra o Irã. O comunicado ocorre após o comando militar iraniano ter revelado, no início da semana, ter conhecimento de preparativos de Washington para retomar bombardeios.

Movimentação Estratégica e Avaliação do Conflito

Reza Talaei-Nik, porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, informou à Tasnim que uma parte dos recursos estratégicos das Forças Armadas foi transferida para estruturas subterrâneas. De acordo com Talaei-Nik, essa medida visa ocultar a capacidade de defesa do país e o alcance de sua produção de armamentos dos adversários. O porta-voz não forneceu detalhes sobre quais equipamentos foram movidos ou a localização exata das instalações.

Talaei-Nik também argumentou que os EUA não alcançaram seus objetivos estratégicos no conflito, incluindo o enfraquecimento da posição regional do Irã. Esta avaliação do governo iraniano não foi acompanhada de dados que permitam aferir o resultado militar da guerra. O porta-voz ainda destacou que Teerã impôs custos ao adversário e defendeu o fortalecimento simultâneo da defesa e da capacidade produtiva interna.

Proposta Iraniana para o Fim do Conflito

A demonstração de prontidão militar coincide com os esforços do governo iraniano para obter uma resposta dos EUA a um roteiro diplomático. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, revelou na sexta-feira (25) que a proposta foi enviada a Washington por meio do Catar, com a possibilidade de sua implementação começar após a aceitação americana.

O plano de Teerã prevê que os EUA suspendam o bloqueio naval aos portos iranianos, removam sanções sobre as vendas de petróleo do país e liberem cerca de US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados. A proposta também inclui a interrupção das hostilidades na região, englobando Líbano e Iêmen. Em contrapartida, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz e retomaria as negociações sobre um acordo mais abrangente, que incluiria seu programa nuclear. Araghchi indicou que as primeiras medidas levariam de quatro a cinco dias, e as discussões sobre o acordo final começariam no sétimo dia. A resposta americana ainda é incerta. Uma reportagem do The Wall Street Journal, citada pela Al Jazeera, mencionou que o presidente Donald Trump teria rejeitado a proposta em conversas privadas, informação atribuída a autoridades não identificadas. No entanto, o governo dos EUA não havia anunciado publicamente uma decisão sobre o plano, e um funcionário americano afirmou à emissora que Washington não tinha pressa em responder.