A importação de pequenas encomendas via plataformas estrangeiras registrou um aumento significativo após o encerramento da cobrança da chamada “taxa das blusinhas”. Entre os meses de junho e agosto de 2026, as aquisições apresentaram um crescimento de 67% em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme informações da Receita Federal compiladas pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).
Nesse intervalo, consumidores brasileiros receberam mercadorias que totalizaram US$ 1,61 bilhão, equivalente a aproximadamente R$ 8,2 bilhões, de plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. No ano anterior, o volume financeiro foi de US$ 867 milhões, ou cerca de R$ 4,9 bilhões em valores ajustados. Essa aceleração ocorreu após o governo federal zerar o Imposto de Importação de 20% sobre encomendas de até US$ 50, medida implementada em maio e sancionada em setembro.
Crescimento e Reação Empresarial
Os números de agosto de 2026 demonstram a magnitude da mudança, com 26,5 milhões de remessas internacionais declaradas, um aumento de 74% em relação aos 15,2 milhões do mesmo mês de 2025. Em termos financeiros, as compras passaram de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, um avanço de 79%. Embora esses dados abranjam remessas do Programa Remessa Conforme, incluindo valores acima de US$ 50, o crescimento não é atribuído unicamente à isenção do imposto federal. Contudo, esse cenário intensificou as críticas de empresários brasileiros, especialmente dos setores têxtil e de confecção, que se sentem mais expostos à concorrência internacional.
A Abit argumenta que a eliminação da taxa aprofundou a desigualdade entre produtos fabricados no Brasil e aqueles comercializados diretamente por empresas estrangeiras. A entidade estima que o setor têxtil e de vestuário pode corresponder a até 40% das importações realizadas por consumidores nessas plataformas. A associação ressalta que fabricantes nacionais enfrentam impostos e exigências trabalhistas, ambientais, sanitárias e regulatórias que não incidem da mesma forma sobre mercadorias importadas diretamente.
Protestos da Indústria e Impactos no Setor
Fernando Pimentel, presidente emérito da Abit, sugeriu uma compensação tributária caso o governo não restabeleça o imposto sobre pequenas encomendas. Ele defende a zero de impostos federais, como PIS e Cofins, que afetam a competitividade da indústria brasileira. A reação empresarial é observada em um contexto de deterioração de indicadores do setor, com queda de 6,8% na produção têxtil e 8,2% na produção de confecções em julho, e a perda de mais de 13 mil empregos formais até junho.
Apesar de não atribuir toda a retração ao comércio eletrônico internacional, Pimentel destaca uma combinação de fatores, incluindo o aumento das importações convencionais, a baixa demanda no mercado interno, os custos de frete e as altas taxas de juros. Ele descreve a situação como uma “tempestade perfeita”. A “taxa das blusinhas”, criada em agosto de 2024 com uma alíquota federal de 20% para compras internacionais de até US$ 50, foi defendida pela indústria e varejo nacional para equiparar a tributação. No entanto, sua impopularidade levou à suspensão do imposto em maio de 2026, com sanção presidencial em setembro, mantendo apenas o ICMS estadual. Os dados mais recentes indicam, portanto, um aumento significativo nas compras de consumidores brasileiros em plataformas internacionais e uma maior pressão da indústria nacional por medidas que reduzam a assimetria competitiva.






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