O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (22), em São Bernardo do Campo, que pretende usar os primeiros meses de um eventual mandato para reorganizar as finanças do estado e, assim, implementar um plano de recuperação do serviço público. Segundo ele, a valorização dos servidores depende de uma melhora no caixa estadual.

Haddad afirmou que o orçamento atual não comporta novas despesas. Ele citou que o estado tinha R$ 22 bilhões em caixa em 2022, mas hoje tem apenas R$ 5 bilhões, mesmo com a venda da Sabesp. Para o candidato, é preciso gerar espaço orçamentário para negociar com os funcionários e estruturar melhorias na infraestrutura de trabalho.

Déficit e divergência

Dados publicados pela Folha de S.Paulo mostram que as contas paulistas tiveram déficit de R$ 12,2 bilhões em 2025, o pior resultado proporcional desde 1995. Para 2026, a projeção indica rombo superior a R$ 9 bilhões. No entanto, o governo atual contesta essa leitura.

O secretário estadual da Fazenda, Samuel Kinoshita, argumenta que o resultado orçamentário isolado não mede a solvência do estado. Ele afirma que, considerando recursos vinculados e todos os Poderes, São Paulo fechou 2025 com R$ 29,4 bilhões em caixa. A dívida consolidada líquida terminou o ano em 124,23% da receita corrente líquida, abaixo do limite de 200%.

O Tribunal de Contas do Estado aprovou as contas do governo Tarcísio de Freitas, mas fez ressalvas, incluindo renúncias fiscais e deterioração das contas públicas.

Qualificação profissional

Além da parte fiscal, Haddad defendeu a aproximação do Ensino Médio com o Sistema S e mudanças curriculares para formar trabalhadores para os novos setores industriais. Ele disse que é preciso adaptar o currículo à indústria que chega ao Brasil.