Durante um comício realizado no sábado (26) na Zona Leste de São Paulo, o candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Haddad afirmou que o senador estaria envolvido em diversos casos de corrupção investigados no Brasil, posicionando a aliança progressista como uma força capaz de impedir que grupos ligados a esquemas ilícitos cheguem à Presidência da República. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e das candidatas ao Senado Federal, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).

Dirigindo-se ao público em uma região tradicionalmente ligada ao PT, Haddad lembrou que, apesar de o partido ter governado a cidade de São Paulo em apenas três ocasiões, as principais políticas públicas estruturais da capital foram implementadas por gestões progressistas. Ele mencionou investimentos significativos na periferia, como a criação dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) com salas de cinema, os Hospitais Dia, hospitais gerais, corredores de ônibus e ciclovias. O candidato enfatizou o empenho de parlamentares eleitos pelas zonas Leste e Sul em priorizar as necessidades da população periférica.

Transformações na Educação e Justiça Tributária

Haddad também abordou sua trajetória como ministro da Educação, ressaltando a mudança no perfil de acesso ao ensino superior. Ele relembrou que, antes da gestão petista, não havia uma presença expressiva de estudantes e professores negros e de baixa renda nas universidades. Atualmente, destacou que 68% dos alunos da rede federal de ensino são oriundos da escola pública. O candidato recordou que a implementação do Programa Universidade para Todos (Prouni) enfrentou críticas da oposição, ao mesmo tempo em que a maior expansão de vagas públicas federais foi realizada durante o governo Lula.

Em sua atuação como ministro da Fazenda, Haddad enfatizou as medidas de justiça tributária adotadas pela atual administração federal. Ele salientou que a taxação de instituições financeiras, empresas de apostas eletrônicas e grandes fortunas permitiu tributar 141 mil contribuintes de altíssima renda para assegurar a isenção do Imposto de Renda a 15 milhões de brasileiros com rendimentos de até R$ 5 mil.

Reforma Trabalhista e Críticas Contínuas

No que tange às mudanças sociais e à jornada de trabalho, Haddad defendeu a alteração da escala 6x1. Ele associou a recente proibição das apostas eletrônicas (bets), por meio de Medida Provisória assinada por Lula e Alckmin, à defesa da convivência familiar e da saúde pública. Segundo o candidato, a redução da jornada de trabalho deve ser usada para estudo, lazer, leitura e cuidado com a família, e não para alimentar o vício em jogos de celular.

No encerramento de seu discurso, Haddad reiterou as críticas apresentadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin sobre a falta de prestação de contas de Flávio Bolsonaro a respeito de repasses financeiros ligados a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O candidato ao governo estadual acusou o parlamentar de estar envolvido em importantes investigações nacionais, mencionando a ligação de seu escritório com alvos da operação no INSS, a conexão com o Master, a proximidade histórica com o miliciano Adriano da Nóbrega e as acusações no caso das “rachadinhas” envolvendo Fabrício Queiroz. Haddad finalizou conclamando a militância a mobilizar o eleitorado para barrar as ambições políticas do grupo adversário e garantir a reeleição do presidente Lula.