Durante debate realizado na noite de terça-feira (29) pela TV Globo, Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, acusou o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) de utilizar um "orçamento secreto". A denúncia baseou-se na concessão de benefícios fiscais sem a devida transparência, uma prática que, segundo Haddad, foi apontada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). O petista destacou que o TCE-SP classifica esses benefícios como uma "caixa-preta" e recomenda a abertura de informações, CNPJ por CNPJ, dos beneficiados.

Haddad prometeu total transparência caso seja eleito, afirmando que divulgará amplamente as informações fiscais do estado. Ele também criticou Tarcísio por, em sua visão, não responder adequadamente aos questionamentos do TCE-SP sobre o tema.

Situação fiscal e comparações

O ex-ministro da Fazenda concentrou parte de seus ataques na gestão fiscal paulista. Segundo Haddad, Tarcísio recebeu o estado com uma situação financeira favorável, mas a teria transformado em déficit. Ele citou dados, atribuídos à Folha de S.Paulo e à Secretaria da Fazenda do próprio governo, indicando que o caixa do estado teria diminuído de R$ 22 bilhões para R$ 5 bilhões. O candidato do PT também apontou para um baixo crescimento econômico de São Paulo, de meio por cento ao ano pelo segundo ano consecutivo.

Haddad ainda associou o projeto econômico do grupo político de Tarcísio ao presidente argentino Javier Milei, questionando se a intenção seria aplicar um modelo semelhante em São Paulo. Ele mencionou a Reforma Tributária aprovada durante sua gestão no Ministério da Fazenda, criticando a posição atribuída a Flávio Bolsonaro (PL) de impedir sua implementação, caso seja eleito presidente. Haddad classificou a reforma como uma das maiores conquistas econômicas após o Plano Real.

Dívidas e Secretaria da Fazenda

O candidato petista também respondeu a críticas sobre as contas federais, lembrando o déficit de quase R$ 200 bilhões que, segundo ele, foi deixado pelo governo Bolsonaro para ser pago no primeiro ano do governo Lula. Ele destacou que parte desse valor, cerca de R$ 30 bilhões, foi destinado a pagar governadores, incluindo o débito de São Paulo que o governo Bolsonaro teria deixado com o então governador Doria. Haddad afirmou ter tratado São Paulo sem discriminação partidária, pagando os precatórios.

Por fim, Haddad abordou a situação da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo. Ele relacionou episódios envolvendo integrantes da pasta, noticiados na imprensa, à necessidade de maior transparência e fiscalização. O debate na TV Globo foi o último confronto televisionado entre os dois candidatos antes do primeiro turno das eleições, abordando temas como segurança pública, saúde e corrupção, além das políticas fiscais.