A missa de sétimo dia da ativista Amelinha Teles, realizada na Catedral da Sé, foi seguida por um ato em prol das mulheres na praça central de São Paulo, evento que integrou a agenda de candidatos de esquerda do estado. A religião ganhou destaque na campanha eleitoral na mesma semana, com Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, adaptando a oração atribuída a São Francisco de Assis para fins eleitorais. O ato ocorreu sob o sol forte das 11h de um domingo (27).
Discursos e polêmicas sobre fé
Haddad comentou sobre a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e a padroeira do Brasil, afirmando que 'nem a mãe de Cristo escapou do bolsonarismo'. Ele então parafraseou a oração: 'Onde houver Bolsonaro, que levemos Lula. Onde houver Tarcísio, que levemos Haddad'. No palco, discursaram também as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet, visivelmente emocionada, recitou a mesma oração pouco antes, expressando sua surpresa com a divisão do país pela fé e defendendo o Estado laico, enquanto se declarava devota de Nossa Senhora Aparecida.
Tebet criticou a decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de remover postagens que associavam Flávio Bolsonaro à iniciativa de destituir Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira, classificando-a como censura. No entanto, neste domingo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino derrubou a liminar de Mendonça.
Presenças notáveis e homenagens
Marina Silva, que não esteve presente na missa, descreveu sua aliança com Tebet como a união de 'uma preta, uma branca, uma católica, uma evangélica', pedindo votos para ambas e para o presidente Lula (PT). Fernando Haddad classificou como 'nojento' o uso da fé pelas adversários, e rebateu críticas sobre as candidatas não serem de São Paulo. Ele mencionou, sem citar nomes, que aliados de Tarcísio fizeram ofensas em debates, apontando a hipocrisia de criticarem a origem, visto que o governador de São Paulo é carioca.
A catedral, com capacidade para 8 mil pessoas, estava lotada. Haddad sentou-se na primeira fileira ao lado de sua esposa, Ana Estela Haddad, e Simone Tebet. Outras personalidades presentes incluíam a ministra Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Eduardo Suplicy (PT), candidato a deputado federal, e Lu Alckmin, esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O celebrante da missa foi ovacionado ao homenagear Amelinha Teles, que dedicou sua vida à luta contra a ditadura militar, pelos direitos humanos e, em especial, pela defesa das mulheres.






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