A China celebra, em 1º de outubro, o 77º aniversário da fundação da República Popular da China, proclamada por Mao Zedong na Praça Tiananmen, em Pequim. A data marca o nascimento de um Estado que emergiu de décadas de conflitos e invasões estrangeiras, tornando-se, sete décadas depois, uma das maiores potências econômicas, industriais, científicas e tecnológicas do mundo.

O Dia Nacional da China recorda a transformação do país, que alterou não só a vida de mais de 1,4 bilhão de chineses, mas também a estrutura da economia global. Em 2025, o Produto Interno Bruto chinês atingiu 140,19 trilhões de yuans, aproximadamente US$ 20 trilhões, com crescimento de 5% em relação ao ano anterior, consolidando a China como a segunda maior economia mundial.

A transformação social e econômica da China

Os 77 anos da República Popular representam uma das maiores transformações sociais já registradas. Segundo o Banco Mundial, cerca de 800 milhões de chineses superaram a pobreza extrema nas últimas quatro décadas, correspondendo a quase três quartos da redução mundial da extrema pobreza no período.

Quando foi fundada, a China enfrentava um longo período de instabilidade, com Guerras do Ópio, intervenções estrangeiras, queda da dinastia Qing, conflitos internos e invasão japonesa. A vitória das forças de Mao Zedong e a proclamação da República Popular visaram a recuperação da soberania nacional e a reunificação territorial. Nas décadas seguintes, o país investiu em industrialização, educação, saúde e infraestrutura, apesar de passar por turbulências como o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural.

Uma segunda e decisiva transformação teve início em 1978, sob a liderança de Deng Xiaoping, com a política de reforma e abertura. Essa política combinou planejamento estatal, empresas públicas, investimento em infraestrutura, atração de capital estrangeiro e expansão do setor privado, resultando em um crescimento econômico extraordinário. O Banco Mundial aponta que o crescimento chinês ficou, por décadas, em média acima de 9% ao ano, elevando o país de economia de baixa para média-alta renda e impulsionando a migração rural-urbana e a criação de novos centros industriais.

Ascensão tecnológica e impacto global

A transformação chinesa entrou em uma nova fase, priorizando setores de alta tecnologia. Telecomunicações, veículos elétricos, baterias, energias renováveis, robótica, inteligência artificial, computação avançada e biotecnologia tornaram-se áreas estratégicas. Em 2025, a produção de veículos de novas energias cresceu 25,1%, atingindo 16,5 milhões de unidades, e o setor de transmissão de informação, software e tecnologia da informação expandiu 11,1%, mais que o dobro do PIB.

A integração da China à economia internacional se reflete no comércio. Em 2025, importações e exportações de mercadorias alcançaram 45,47 trilhões de yuans, com crescimento de 3,8%. Notavelmente, 51,9% do comércio exterior chinês ocorreu com países participantes da Iniciativa Cinturão e Rota, demonstrando uma mudança na geografia econômica global, com maior foco no Sul Global.

A ascensão chinesa também impactou a política internacional, com Pequim defendendo reformas na governança global e ampliando sua presença em organismos multilaterais. Iniciativas como os BRICS e a Iniciativa Cinturão e Rota criaram novas possibilidades de financiamento, comércio e investimento para países em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que abriram debates sobre dependência e assimetrias comerciais.

Para o Brasil, a transformação chinesa tem um significado especial. A China se tornou o principal destino de produtos brasileiros e uma fonte relevante de investimentos, além de os dois países atuarem conjuntamente em instâncias multilaterais, fortalecendo as relações Sul-Sul em um cenário global de disputas e competição.