A ArcelorMittal, grupo siderúrgico global da família indiana Mittal, prepara um novo ciclo de investimentos no Brasil, superando a marca de R$ 10 bilhões. Esse movimento ocorre após o governo brasileiro implementar ações de defesa comercial que diminuíram a entrada de produtos siderúrgicos chineses no mercado nacional. Conforme informações, a participação do aço importado no Brasil caiu de cerca de 25% para 16%. Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil, expressou que a empresa considera um patamar de aproximadamente 10% mais adequado.
A adoção de medidas antidumping por parte do governo contra produtos chineses foi crucial. Em fevereiro, foram aplicados direitos antidumping definitivos por até cinco anos sobre laminados planos a frio e, posteriormente, sobre laminados planos revestidos de origem chinesa.
Mais de R$ 10 bilhões em projetos futuros
A melhoria nas condições de competitividade abriu caminho para que a ArcelorMittal projetasse novos aportes. Um investimento já confirmado, entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, será destinado à unidade de Tubarão, em Serra (ES). Esse projeto inclui a instalação de um Laminador de Tiras a Frio e uma Linha de Revestimento Contínuo, visando expandir a fabricação de produtos siderúrgicos de maior valor agregado para os setores automotivo, da construção civil e de eletrodomésticos. A empresa confirmou esse investimento em agosto.
Outro projeto significativo está sendo avaliado no Ceará, onde a ArcelorMittal planeja investir cerca de R$ 5 bilhões na expansão da usina de Pecém. A intenção é instalar uma nova linha para a produção de bobinas laminadas a quente, com uma decisão final sobre o investimento prevista até o final de 2026. Somando esses e outros projetos, os investimentos em análise ou já anunciados podem ultrapassar R$ 10 bilhões nos próximos anos.
Defesa da indústria nacional e importância do Brasil
A ArcelorMittal vinha defendendo medidas de defesa comercial diante do crescimento das importações. Dados da própria companhia indicaram que as importações brasileiras de laminados atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 20,5% em relação a 2024, com a penetração de produtos importados chegando a 21% naquele ano. A empresa argumenta que parte significativa dessa pressão vinha da China, cujos produtos chegariam ao Brasil em condições consideradas desleais. Investigações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) levaram à aplicação de direitos antidumping a diversas categorias de produtos chineses. Essas medidas implicam a aplicação de tarifas adicionais a produtos específicos quando se constata dumping e dano à indústria doméstica, após devida investigação.
O Brasil é estratégico para a ArcelorMittal, sendo o segundo maior mercado do grupo e registrando uma receita de aproximadamente US$ 3,15 bilhões no segundo trimestre deste ano. O novo ciclo de investimentos se soma a aportes recentes, como a inauguração de uma nova planta de beneficiamento de minério de ferro em Serra Azul (MG), em março, fruto de um investimento de R$ 2,5 bilhões, que ampliou sua capacidade de produção de 1,5 milhão para 4,5 milhões de toneladas anuais. A multinacional indiana reforça o argumento governamental de que a proteção da produção nacional pode gerar novos investimentos, aumentar a capacidade produtiva e criar empregos. Contudo, a empresa destaca desafios estruturais, como os custos de energia, gás natural e o “Custo Brasil”, que precisam ser superados para aumentar a competitividade da siderurgia nacional.






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