Uma campanha liderada pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) publicou a Nota Técnica nº 01/2026 para denunciar o descumprimento da lei e cobrar do governo estadual e das prefeituras da região metropolitana a divulgação de dados reais sobre a contaminação da represa Guarapiranga, manancial que abastece 5,6 milhões de paulistanos.
Prazo vencido e apagão de dados
A Lei Estadual nº 12.233/2006 estipulou que a represa deveria atingir a carga máxima de 147 quilos de fósforo por dia até 2015. Os últimos registros oficiais apontavam uma carga de 340 quilos diários, muito acima do limite. Desde então, o governo estadual deixou de publicar informações sobre o nível de poluição, caracterizando um apagão de dados.
Fernando Gomes, membro do Conselho Tecnológico do Seesp e ex-profissional da Sabesp por 42 anos, afirmou que a lei precisa ser obedecida e que a privatização da Sabesp dificultou ainda mais o acesso a informações como a vazão da transferência de esgoto. Ele também expressou descontentamento com o governador Tarcísio de Freitas e exigiu transparência.
Efeitos da contaminação
O esgoto não tratado despejado na bacia provoca o crescimento excessivo de algas e cianobactérias, que liberam substâncias como geosmina e toxinas. Isso resulta em água com gosto e cheiro de terra, exigindo tratamentos químicos caros para torná-la potável. Especialistas alertam que investimentos em obras sem medição do impacto real representam desperdício de recursos públicos.
O Seesp e as 30 entidades que compõem a campanha exigem respostas imediatas sobre a carga total de fósforo atual, a última atualização do modelo matemático de qualidade da água (MQual) e os resultados práticos das obras recentes. Para eles, a governança e a legislação existem, mas faltam gestão, fiscalização do uso do solo e o fim do segredo sobre a qualidade da água.






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